Arquivo anual 2019

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COMUNICADO

A Associação de Ensino Superior de Fortaleza (AESF) vem, por meio deste comunicado, informar novamente a seu corpo discente dos cursos de graduação e de pós-graduação, que não existe obrigatoriedade, pelo aluno, de submeter os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) ao crivo de profissional corretor gramatical-ortográfico e de estilo técnico científico desvinculado da Instituição de Ensino Superior.

Tal comunicado integra uma decisão no âmbito do processo nº 0011926-29.2012.4.05.8100 perante a 1ª Vara Federal no Ceará. Dessa forma, de modo a cumprir na integralidade a decisão, transcreve-se abaixo o dispositivo da sentença, em sua literalidade:

“Em razão do expedido, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos, para determinar que a ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE FORTALEZA – AESF mantenedora FCHFOR – FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DE FORTALEZA, abstenha-se de exigir de seus discentes a revisão gramatical e de estilo técnico-científico por profissional, contratado desvinculadamente à Instituição de Ensino, nos Trabalhos de Conclusão de Curso – TCCs de graduação e pós-graduação, tornando sem efeito quaisquer cláusulas constantes dos contratos já celebrados que imponham referidas condições para obtenção dos precitados serviços escolares e assegurando, ainda, a divulgação do dispositivo desta sentença na página de abertura do site da demandada na internet pelo prazo de 60 (sessenta) dias.

Atendidos os requisitos legais, CONCEDO A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA, para que a promovida ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE FORTALEZA – AESF mantenedora FCHFOR – FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DE FORTALEZA, dê imediato cumprimento à obrigação de não fazer, no sentido de se abster de exigir de seus discentes a revisão gramatical e de estilo técnico-científico pro profissional, contratado desvinculadamente à Instituição de Ensino, nos Trabalhos de Conclusão de Curso -TCCs de graduação e pós-graduação, bem como dê publicidade do dispositivo da presente sentença na página de abertura do seu site na internet pelo prazo de 60 (sessenta) dias. Cumpra-se. Expedientes necessários e URGENTES.

porMarketing Unice

Com 5 milhões, Enem tem o menor número de inscritos confirmados desde 2010

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 teve 5,09 milhões de inscrições confirmadas, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O balanço, divulgado nesta terça-feira (28), considera o total de isentos e de pessoas que pagaram o boleto de R$ 85 que venceu na quinta (23).

O número de participantes confirmados é o menor desde 2010, quando 4,62 milhões de pessoas terminaram o processo de inscrição aptas a participar do exame.

O percentual de estudantes que confirmaram a inscrição, em relação ao total de inscrições feitas, foi o menor registrado na série histórica, que vai de 2015 a 2019. Em 2019, 79,8% dos inscritos confirmaram a participação. O maior percentual de confirmação ocorreu em 2016, quando 93% dos participantes concluíram a inscrição.

Pagantes e isentos

Os pagantes da taxa de inscrição representam 41,5% dos participantes em 2019. A taxa de inscrição custou R$ 85 neste ano. No ano passado, o percentual de pagantes foi menor: 36,1% do total.

A proporção de estudantes isentos da taxa foi a menor registrada na série histórica, que tem início em 2015. No ano de 2016 foi registrado o maior percentual de isenções: 76,81% dos estudantes não pagaram a taxa de inscrição naquele ano.

Perfil dos participantes

As mulheres seguem sendo a maioria entre os candidatos do Enem: 59,5% dos participantes confirmados são do sexo feminino, contra 40,5% do sexo masculino.

Em relação à faixa etária, o grupo mais prevalente (26,7%) tem de 21 a 30 anos. Neste ano, 17,8% das inscrições confirmadas são de estudantes de 17 anos e 15,9% de alunos com 18 anos.

A maior parte dos candidatos confirmados é negra: 46,4% se autodeclararam pardos e 12,7%, pretos. Brancos são 36% dos confirmados.

Em relação à situação escolar, 28,8% das inscrições são de estudantes que concluem o ensino médio neste ano. Os egressos, aqueles que já se formaram em anos anteriores, representam 58,7%. E os treineiros, participantes que não vão concluir a educação básica em 2019, são 12,1% dos inscritos.

O Sudeste é a região com maior percentual de inscritos: 35% dos candidatos confirmados moram na região. O Nordeste tem 34% dos inscritos, seguido do Norte, com 12% das candidaturas. O Sul tem 11% dos confirmados e o Centro-Oeste, 8%.

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Ecossistema de inovação no Brasil: as lacunas que precisamos preencher

Apesar da satisfatória presença de comunidades de empreendedorismo tecnológico no território brasileiro, ainda existe elevada concentração no Sul e no Sudeste

Cidades do sudeste, como São Paulo (foto), são as que mais recebem investimentos em inovação
Cidades do sudeste, como São Paulo (foto), são as que mais recebem investimentos em inovação

O ecossistema de inovação brasileiro é o mais robusto da América Latina e Caribe, e chegou a esse patamar em menos de 20 anos. A magnitude dos avanços em tão pouco tempo impressiona, não apenas pelo tamanho do ecossistema —startups, estímulo à pesquisa, hubs de fomento ao empreendedorismo, incubadoras, aceleradoras, espaços de coworking, instituições de capacitação, redes de investidores e fundos—, mas também por sua qualidade e capacidade de impulsionar o desenvolvimento. E não faltam áreas que comprovem o crescente impacto à sociedade por meio de tecnologias escalonáveis: saúde, educação, mobilidade urbana, saneamento básico, inteligência tributária, apenas para citar algumas.

Não por acaso, o Brasil é destino de quase 50% dos investimentos de capital estrangeiro em negócios da região, e o número de unicórnios —empresas que alcançam valores de mercado acima de US$ 1 bilhão— vem se superando anualmente. Mas ainda há muito o que ser conquistado, afinal o ecossistema brasileiro continua em formação e, portanto, sua trajetória apresenta lacunas internas e externas que desaceleram sua capacidade de gerar ainda mais entregas, principalmente no longo prazo e de maneira mais abrangente, inclusiva e integrada.

Uma delas é a pulverização da inovação pelo país. Apesar da satisfatória presença de comunidades de empreendedorismo tecnológico em sua extensão territorial, com atuação importante em localidades como Tocantins, Roraima, Pernambuco, Mato Grosso e Goiás, ainda existe elevada concentração no Sul e no Sudeste.

O justificado direcionamento econômico dessas regiões mostra como o estímulo a ambientes mais produtivos pode fortalecer milhares de startups, especialmente as localizadas em áreas mais vulneráveis. A estratégia? Disseminar a transformação cultural em sua potência máxima para a construção de um mercado fértil ao investimento e, consequentemente, a geração de negócios e empregos. Empreendedores, grandes empresas, sociedade e instituições governamentais são beneficiadas. A união com este último é um exemplo de como atingir velocidade na resolução de problemas na nossa matriz de forma muito mais custo-efetiva. É a reconhecida relação de ganha-ganha.

A mesma aproximação se aplica ao processo de internacionalização do ecossistema nacional. Uma proporção relativamente baixa de negócios no Brasil tem explorado possibilidades além das fronteiras. A recíproca também é verdadeira dado que um número pequeno de startups da América Latina e Caribe estão conectadas ao movimento de inovação interno. Claro que uma razão natural para este cenário é o tamanho do nosso mercado que já tem proporções continentais. No entanto, redirecionar esforços para conquistar espaço vizinho, que apresenta muitas características (e desafios) semelhantes às encontradas no Brasil, é um passo significativo ao intercâmbio de influência entre negócios promissores.

Desta forma, é importante visão unificada para que o ecossistema brasileiro amplie sua capacidade de impacto de forma mundial. A começar pela conexão dentro de casa, integrando cada vez mais todas as regiões do país a um ecossistema estruturado e o envolvimento do setor público em todas as esferas. Além disso, conversar com os países da América Latina e Caribe e do mundo, amplia o poder de oportunidade, retroalimentando as experiências de larga escala. A exemplo das práticas semelhantes adotadas em Israel e Estônia, países que conseguiram reconhecimento internacional de seus ecossistemas.

Preencher as lacunas de um ecossistema de inovação requer esforços contínuos multilaterais, por isso as pontes nunca terminam. Um grande passo para atingir esse resultado é a parceria que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio de seu laboratório de inovação, o BID Lab, e o Cubo Itaú, maior hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina, anunciam hoje. O objetivo é enfrentar estes desafios de forma comprometida a criar estas e mais conexões de maneira que beneficiem não apenas o ecossistema de inovação brasileiro, mas de toda a região da América Latina e Caribe.

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/03/opinion/1567527700_640376.html

porMarketing Unice

Focos de queimadas na Amazônia são quase 5 mil em setembro, segundo o Inpe

Reprodução do mapa do Banco de Dados de Queimadas, do Inpe, capturada em 6/9. A figura mostra a última imagem do satélite NPP, e cada cruz vermelha é uma detecção de fogo na vegetação. — Foto: Reprodução/BD Queimadas/Inpe
Reprodução do mapa do Banco de Dados de Queimadas, do Inpe, capturada em 6/9. A figura mostra a última imagem do satélite NPP, e cada cruz vermelha é uma detecção de fogo na vegetação. — Foto: Reprodução/BD Queimadas/Inpe

Dado mais recente do Programa Queimadas é do domingo (8). Informações são obtidas por meio de satélites.

Nos primeiros oito dias do mês de setembro foram registrados 4.935 focos de queimadas no bioma Amazônia, de acordo com o sistema de monitoramento de focos ativos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa uma queda de 61% em relação ao mesmo período no ano anterior. O dado mais recente do Programa Queimadas é do domingo (8). O sistema tem atualização diária

Do início de janeiro até o dia 8 de setembro de 2019, o bioma Amazônia acumula 51.760 focos de queimadas. No mesmo período do ano anterior, foram 34.995 focos. O aumento neste ano é, portanto, de 48%.Focos de incêndio no bioma Amazônia (Dados de 1° de janeiro a 8 de setembro de 2018, comparado ao mesmo período de 2019).

Considerando todo o território nacional, o mês de setembro de 2019 começou com menos focos ativos do que setembro de 2018. Até o dia 8, são 12.285 focos de queimadas em setembro deste ano, ante 17.705 nos mesmos dias do ano passado.

No bioma Amazônia, setembro deste ano também registrou menos queimadas nos primeiros dias. Foram 12.831 focos nos primeiros 8 dias de setembro do ano passado, contra 4.935 focos no mesmo período neste ano .No acumulado do ano, de janeiro até 8 de setembro de 2019, o sistema registra 102.786 focos no Brasil, o que representa um aumento de 45% ante os 70.631 focos observados no mesmo período de 2018.

Média de setembro na Amazônia

A média mensal dos últimos anos para setembro no bioma Amazônia é 33.426 focos. O recorde para o mês foi atingido em 2007, quando o índice chegou a 73.141 focos.

Desde o início da série de monitoramento, em 1998, em quase todos os anos o número total de focos no mês de setembro é maior do que o de agosto – dos últimos 21 anos, somente em 5 deles o mês de setembro teve menos focos do que agosto. A temporada de queimadas na Amazônia geralmente se estende durante todo o período de clima mais seco na região, que costuma ir de julho a outubro, mas pode variar de estado para estado.

Maior número em 9 anos

O mês de agosto deste ano terminou com o maior número de focos desde 2010 e registrou índice 19% acima da média dos últimos 21 anos. As queimadas no bioma Amazônia aumentaram 196% em agosto, chegando a 30.901 focos ativos, ante 10.421 no mesmo mês do ano passado.

média de focos do mês de agosto foi ultrapassada no dia 25, quando o site do Inpe indicava 25.934 focos de incêndio no bioma. Se considerarmos todo o território do país, as queimadas também tiveram alta: foram 51.936 focos em agosto, aumento de 128% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram identificados 22.774 focos. Estes são os maiores números registrados para agosto desde 2010, ainda de acordo com dados do Inpe.

Mesmo com chuva, Amazônia tem mais queimadas

A Amazônia teve mais chuvas, mais queimadas e mais alertas de desmatamento entre janeiro e agosto em 2019 do que o registrado no bioma nos mesmos períodos desde 2016. De janeiro a agosto, choveu 11% a mais e houve 34% mais focos de queimadas do que a média de 2016 a 2019.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Inpe foram compilados pelo G1. O período de análise não pôde ser anterior a 2016 porque o sistema de monitoramento de desmate mudou e não permite comparações mais antigas. Em 23 de agosto, durante pronunciamento em rede nacional, Bolsonaro afirmou que a alta de queimadas estava relacionada à falta de chuvas.

“Estamos numa estação tradicionalmente quente, seca e de ventos fortes em que todos os anos, infelizmente, ocorrem queimadas na região amazônica. Nos anos mais chuvosos, as queimadas são menos intensas. Em anos mais quentes, como neste, 2019, elas ocorrem com maior frequência”, afirmou o presidente da República.

Especialistas afirmam que o fogo na Amazônia é causado principalmente pela ação humana.

“Quando é mais seco, a gente pode esperar um aumento grande de queimadas. Mas não dá para dizer que isso está acontecendo este ano. Todas as evidências são de incêndios em áreas desmatadas”, diz Carlos Nobre, cientista e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de São Paulo.

Francisco de Assis Diniz, chefe da previsão do tempo do Inmet, afirmou que “não é um ano mais seco, não tem nenhum local na Amazônia que passou mais de 40 dias sem chuva”.

FONTE: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/02/balanco-das-queimadas-na-amazonia-em-setembro-segundo-o-inpe.ghtml


porMarketing Unice

Como as emoções nas redes sociais nos manipulam e polarizam

É uma boa ideia contar até 10 antes de tuitar

Quando um tuíte contém um termo emocional e moral, é mais provável que seja retuitado.

No Twitter (e nas demais redes sociais) têm mais sucesso as mensagens que apelam às nossas emoções. Um novo estudo mostra que não somente nos sentimos mais impulsionados a compartilhar esses tuítes, como além disso as palavras que se referem às emoções e à moral captam mais nossa atenção do que as neutras.

O trabalho dos psicólogos Ana P. Gantman, William J. Brady e Jay Van Bavel mostra que os termos que apelam ao que acreditamos que é bom ou ruim “são particularmente efetivos no momento de captar nossa atenção”. Isso, como escrevem em um artigo publicado na revista Scientific American, “pode ajudar a explicar a nova realidade política”.

Na primeira experiência de seu trabalho, foram mostrados aos participantes tuítes fictícios com diferentes tipos de palavras usadas como hashtags: as referidas à moral (“crime”, “piedade”, “direito”), à emoção (“medo”, “amor”, “choro”) e às duas coisas ao mesmo tempo (“abuso”, “honra”, “despeito”) captavam mais atenção do que as neutras.

Além disso, também examinaram quase 50.000 tuítes reais sobre três assuntos: o controle de armas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a mudança climática. Os mais compartilhados tendiam também a incluir termos emocionais e morais. De fato, e de acordo com outro estudo anterior dos mesmos autores, é pelo menos 20% mais provável compartilharmos um tuíte se contém uma palavra dessa classe.

Os autores alertam que esse não é o único motivo que explica o sucesso de uma publicação. Por exemplo, o fato de que está sendo muito compartilhada e já seja muito popular pode fazer com que seu sucesso aumente ainda mais.

É mais fácil se indignar

O papel das emoções nas redes sociais já era conhecido, ainda que isso não tenha evitado que sejam usadas para nos manipular (ou tentá-lo) com boatos, mensagens políticas extremamente partidarizadas e provocações.

Jonah Berger, professor da Universidade da Pensilvânia, explicou em seu livro Contagioso, de 2013, que as emoções que nos impulsionam em maior medida a compartilhar conteúdos na Internet estão ligadas ao espanto. Pode ser pela parte negativa, como a indignação por um fato reprovável que nos surpreende, como em sua vertente positiva, como o humor.

A neurocientista norte-americana M. J. Crockett revisou recentemente na revista Nature Human Behavior os últimos estudos sobre o assunto, lembrando que nas redes encontramos mais ações que nos parecem censuráveis do que em pessoa. Talvez um dia vejamos um vizinho que não recicla e constatamos com aborrecimento que o prefeito colocou outra rotatória caótica, mas nas redes podemos encontrar inúmeros erros e más ações de qualquer parte do mundo sem sequer sair do sofá.

Além disso, é mais fácil mostrar nossa indignação: não temos que discutir com nosso vizinho, nos manifestar nas ruas e escrever uma raivosa carta à diretoria do jornal, basta retuitar.

Os riscos da manipulação

Tudo isso não precisa ser negativo: a indignação pública também tem benefícios à sociedade, ao permitir que todos nós possamos castigar ou pelo menos recriminar comportamentos censurados pela maioria (como a corrupção), além de reforçar nossa adesão a uma causa e grupo social com o qual nos identificamos.

Mas tem riscos, como aponta Crockett. Pelo menos três: primeiro, a possibilidade de que nossa participação em movimentos cívicos e sociais seja menos significativa. Já não precisamos cooperar como voluntários e fazer doações, nos satisfazemos somente retuitando.

Segundo, também diminui o nível da indignação: como é fácil nos indignar, pode chegar um momento em que não distinguiremos entre as ofensas reais e as coisas que nos são somente desagradáveis. Para dar um exemplo próximo: é realmente tão indignante que uma conta anônima e quase sem seguidores do Twitter publique piadas ouvidas milhares de vezes sobre Carrero Blanco?

Terceiro, nossas opiniões tendem a se polarizar. As próprias redes permitem que nos agrupemos em câmaras de eco com audiências semelhantes. E, como escreve o psicólogo Jonathan Haidt em A Mente dos Justos, nos unimos a “equipes políticas que compartilham narrativas morais”. Ou seja, o famoso filtro bolha de Eli Pariser.

Por fim nos acostumamos a falar a um público com o qual concordamos, procurando principalmente “recompensas de reputação” ou, nas palavras de Berger, “divisa social”. Ou seja, queremos ganhar pontos com os nossos, não iniciar uma conversa.

Isso faz com que a troca de opiniões com pessoas que pensam diferente (e que simplesmente se enganaram) seja midiatizada (e caricaturizada) por outros membros do grupo. Como escreve o professor de Direito da Universidade Harvard Cass Susstein em seu livro #Republic, as conversas profundas que cruzam barreiras ideológicas são extremamente escassas nas redes sociais.

Consequentemente, corremos o risco de ver os outros como pessoas malvadas e estúpidas em vez de, simplesmente, como pessoas que opinam que há outra maneira de se fazer as coisas que não coincide com o que nós consideramos mais adequado.

Além disso, essas mecânicas nos fazem mais vulneráveis à manipulação: é fácil provocar uma onda de indignação com o objetivo de potencializar uma polarização que o político e o grupo da vez consideram benéfica aos seus interesses, como diz Susstein. De fato, é um dos motivos que ajudam a entender que Donald Trump dedique tanto tempo ao Twitter, diz o linguista George Lakoff. Soltar uma barbaridade nessa rede social o ajuda a marcar o debate: não importa que as mensagens sejam de apoio ou contrárias, seu objetivo é simplesmente pautar a agenda e o faz provocando a indignação e o confronto. Seu caso não é único, evidentemente.

Mas isso pode ser evitado?

O panorama parece desolador, mas os autores do estudo apontam algumas questões que dão um certo otimismo.

De entrada, ainda que se costume prestar atenção à indignação e à manipulação, pelo perigo que significam, somos movidos tanto pelas emoções negativas como pelas positivas. A experiência não oferecia somente etiquetas como “inimigo”, “ódio” e “vergonha”, e sim também “bom”, “herói” e “honra”. De fato, em seu artigo dão o exemplo real da difusão da hashtag #lovewins em 2015: o dia em que os Estados Unidos legalizaram o casamento homossexual em seus 50 Estados, a hashtag teve mais de 2,5 milhões de mensagens no Twitter.

Uma segunda questão é que entender como as emoções nos motivam (indignação incluída) pode nos ajudar a parar segundos antes de compartilhar e tuitar certos conteúdos.

Chris Wetherell, o programador do botão de retuitar no Twitter, introduzido em 2009, se manifestou de maneira semelhante. Recentemente falou sobre essa inovação, afirmando que “provavelmente demos uma arma carregada a uma criança de 4 anos”. Antes era preciso escrever esse RT à mão, o que nos dava alguns segundos para refletir sobre o que iríamos compartilhar.

Em seu editorial da publicação de setembro a Scientific American sugere imaginar que ao lado do botão de retuitar há um botão de pausa. Clicar nele poderia nos servir para pensar se estamos respondendo a um tuíte que somente quer causar barulho, se vale a pena ler o artigo e não somente a manchete, e se só queremos ficar bem diante de nossos amigos e seguidores, demonstrando-lhes que, mais uma vez, somos os bonzinhos.

Precisamos imaginar esse botão porque o Twitter dificilmente o incorporará. Como disse a jornalista Delia Rodríguez, “se a essa altura as plataformas não desenvolveram redes menos nocivas é pela mesma razão pela qual as fábricas tabagistas não criaram cigarros de plantas medicinais. Vai contra a própria essência de seu negócio”. Quanto mais conteúdo publicarmos e compartilharmos, melhor para elas. Mesmo que nos custe uma úlcera.

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/22/tecnologia/1566480798_855818.html

porMarketing Unice

Como uso de agrotóxicos sem orientação e assistência põe agricultores brasileiros em risco

Pesquisa em zona rural no Estado do Rio de Janeiro revelou que 90% dos participantes disseram ter sentido ao menos um sintoma aguda de exposição a pesticidas; apenas 23% disseram ter recebido treinamento ou apoio para manejo desses produtos.

Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009 — Foto: David Bebber
Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009 — Foto: David Bebber

Pesquisas recentes sobre a saúde dos agricultores familiares brasileiros têm chamado a atenção para a prevalência de problemas respiratórios, hormonais, reprodutivos e de alguns tipos de câncer possivelmente associados à exposição aos agrotóxicos.

Apesar de o Brasil ser um dos maiores consumidores mundiais de agrotóxicos, os esforços para medir o impacto desses produtos na saúde dos trabalhadores rurais ainda são incipientes. Em comum, esses novos estudos evidenciam que a falta de orientação e assistência técnica a pequenos agricultores resulta na falta de cuidados adequados para evitar intoxicações. A discussão sobre a segurança dos agrotóxicos está em alta desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, no final de agosto, a aprovação de um novo marco regulatório para agrotóxicos.

Para o pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP Rafael Junqueira Buralli, autor de um estudo sobre a condição respiratória de agricultores familiares expostos a agrotóxicos em uma pequena cidade do Rio de Janeiro, o despreparo é evidente: apenas 22,9% dos trabalhadores rurais avaliados no estudo afirmaram ter recebido treinamento ou apoio técnico para o manejo desses produtos. Entre os parentes dos trabalhadores, que com frequência auxiliam nas atividades de cultivo e também se expõem aos agrotóxicos, nenhum passou por treinamento.

Impacto na saúde respiratória

A pesquisa de Buralli, publicada em 2018 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health, avaliou 82 indivíduos da zona rural de São José de Ubá-RJ por meio de questionários, análise de amostras de sangue e espirometria, um exame que mede a capacidade pulmonar.

Os exames revelaram diminuições dos padrões respiratórios nos trabalhadores rurais em comparação a indivíduos não expostos a agrotóxicos. E quanto maior a exposição, medida pela presença de biomarcadores no sangue, pior foi a condição respiratória observada no participante. Sintomas como tosse, alergia nasal e dificuldade para respirar foram mais prevalentes durante o período da safra do que na entressafra, o que sugere um efeito agudo durante o período de maior exposição, diz o pesquisador.

Segundo Buralli, 90% dos participantes também afirmaram sentir com frequência ao menos um sintoma agudo de exposição aos pesticidas, entre os quais os mais comuns foram irritações nas mucosas, dor de cabeça, taquicardia e palpitação, tontura, dor de estômago e câimbras. Além disso, 70% dos entrevistados relataram apresentar ao menos um sintoma crônico, como alterações no sono, irritabilidade e dificuldade de concentração e raciocínio.

Em busca de alterações genéticas

Para ilustrar o grau de desconhecimento da população rural de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, o enfermeiro Gilberto Santos de Aguiar, do Programa do Saúde do Trabalhador da Coordenação de Vigilância em Saúde da cidade, conta que ele já viu moradores armazenando água para beber em frascos de agrotóxico.

Aguiar faz parte de um projeto que busca investigar a associação dos agrotóxicos com doenças comuns entre os agricultores. A iniciativa surgiu a partir de um caso de câncer de pulmão em um trabalhador rural da cidade em que o médico identificou a exposição aos agrotóxicos como causa do tumor. “Evidenciamos que muitas vezes o adoecimento de um trabalhador rural não é um adoecimento natural, mas por exposição ao agrotóxico”, diz.

O grupo aplicou um questionário sobre uso de agrotóxicos e presença de sintomas em 41 propriedades rurais da região. O resultado foi encaminhado ao serviço de câncer ocupacional do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que se interessou pelo projeto e hoje conduz um projeto de investigação de alterações genéticas por exposição a agrotóxicos na região.

Para Aguiar, a desinformação é o principal fator de risco para os pequenos agricultores da região. “A maioria dos agricultores utiliza agrotóxicos sem prescrição agronômica. A compra é orientada pelo funcionário do balcão da loja que vende agrotóxico, ou às vezes é feita na porta da propriedade por um carro que leva o kit de veneno”, afirma. Ele diz que não há nenhuma assistência técnica para orientar sobre o modo de uso e nenhuma fiscalização.

Um levantamento do perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais de Casimiro de Abreu, publicado pela Revista Brasileira de Enfermagem no início do ano, constatou que 51,8% da população entrevistada afirma nunca usar equipamentos de proteção individual recomendados durante o manejo de agrotóxicos, como botas, luvas e máscaras respiratórias.

Problemas endócrinos e reprodutivos

Em sua pesquisa, que avaliou o impacto dos agrotóxicos na função da tireoide em trabalhadores rurais da soja da cidade de Sertão, no Rio Grande do Sul, a farmacêutica Tanandra Bernieri também constatou o esse tipo de descuido: nenhum dos 46 agricultores entrevistados afirmou utilizar equipamentos de proteção individual corretamente.

Do total, 34,8% afirmou usar luvas apenas na hora de fazer a mistura dos agrotóxicos. “Muitos não sabiam que o agrotóxico pode ser absorvido pela boca quando comem algo com as mãos sujas do produto”, conta Bernieri. “A fonte de informação deles são os vendedores ou pessoas da família e amigos.”

A biomédica Camila Piccoli, mestre pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também pesquisou os efeitos dos agrotóxicos na tireoide de agricultores do Rio Grande do Sul, da cidade de Farroupilha. Ela e sua equipe constataram que a exposição aos agrotóxicos pode estar relacionada a um quadro de aumento do hormônio TSH e diminuição do hormônio T4, principalmente nos homens avaliados, resultando em sintomas análogos ao hipotireoidismo.

Ela também participou de um estudo, coordenado por seu colega Cleber Cremonese, que selecionou jovens de 18 a 23 anos da mesma região e, por meio do exame de espermograma, constatou a diminuição da mobilidade e morfologia do esperma dos jovens rurais em comparação aos jovens urbanos, além de alterações nos hormônios reprodutivos.

“Não se pode afirmar que as alterações estejam relacionadas somente ao uso de agrotóxicos”, afirma Piccoli. Mas os dados sugerem que os agrotóxicos podem estar relacionados ao fenômeno, principalmente por se tratar de uma população jovem, sem outros fatores de risco.

Novo marco regulatório

novo marco regulatório anunciado pela Anvisa traz mudanças na classificação toxicológica dos agrotóxicos e inclui mudanças na rotulagem dos produtos. Segundo a agência, as alterações podem facilitar a identificação de perigos à vida e à saúde humana.

Ao mesmo tempo, alguns produtos podem ser reclassificados para um grau de toxicidade menor, já que o novo critério leva em conta apenas estudos de mortalidade, desconsiderando outros sintomas comuns que não levam à morte. Para alguns dos pesquisadores que atuam na área, ainda não está claro se a nova classificação impactará a segurança dos agricultores.

Buralli observa que, como o nível de escolaridade dos agricultores é baixo, com muitos casos de analfabetismo, eles dificilmente leem o rótulo e as instruções da embalagem dos agrotóxicos. “Hoje a instrução parte mais dos técnicos nas lojas agropecuárias. Por isso, o ensino continuado providenciado pelas agências é muito mais importante do que o que está na bula”, afirma.

Para Vilma Santana, professora titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a mudança é preocupante, já que usa como critério somente a morte por intoxicação aguda, quando os casos mais comuns são os de intoxicação crônica.

“Se já temos uma situação de desproteção por conta do baixo nível de importância que se dá ao comportamento preventivo, do baixo nível de escolaridade do agricultor, e do uso indiscriminado de agrotóxico, se o nível de controle é reduzido, eu acredito que as consequências podem ser desastrosas.”

Santana é autora de um levantamento que constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009, levando a uma mortalidade de 0,39 por 100 mil no ano de 2009.

“A mortalidade é pequena, mas no mundo desenvolvido, como na Inglaterra, um país que tem agricultura forte, nem se estima a mortalidade porque o número de casos de intoxicação aguda por agrotóxico é praticamente nulo”, afirma.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2019/09/09/como-uso-de-agrotoxicos-sem-orientacao-e-assistencia-poe-agricultores-brasileiros-em-risco.ghtml


porMarketing Unice

Em julho, micro e pequenas empresas geraram 41,5 mil vagas de trabalho.

As micro e pequenas empresas (MPE) foram responsáveis, em julho, pela criação de 41,5 mil empregos com carteira assinada no país –ou seja, 95% de todos os 43,8 mil empregos gerados (entre MPE, médias e grandes corporações e os da administração pública). As informações são do Sebrae Nacional, que fez o levantamento baseado em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.

Em julho, as MPE do setor de Serviços geraram cerca de 20 mil postos de trabalho –destaque para o ramo imobiliário (15,2 mil). Em seguida, vêm as micro e pequenas empresas da Construção Civil (14 mil novas vagas). Entre os estados, São Paulo lidera a geração de empregos em julho deste ano (12.847 novas vagas), seguido por Minas Gerais (7.525 empregos). Com isso, a região Sudeste registrou o maior volume de postos de trabalho no mês passado no país, com mais de 20 mil novas contratações. A região Centro-Oeste ficou na segunda posição no ranking regional, com 6.700 novas vagas.

No acumulado de janeiro a julho, as micro e pequenas abriram 437,6 mil vagas, 2,4% acima do registrado pelo setor no mesmo período do ano passado. No setor de Serviços, os pequenos negócios foram responsáveis pela criação de 273,1 mil novos postos de trabalho. Já as MPE ligadas ao Comércio registraram saldo negativo de emprego, com o fechamento de 44,1 mil vagas, ou seja, mais demitiram do que contrataram nos primeiros sete meses deste ano.

FONTE: https://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2019/08/27/micro-e-pequenas-empresas-saldo-geracao-emprego-julho.htm