Arquivo mensal setembro 2019

porMarketing Unice

Com 5 milhões, Enem tem o menor número de inscritos confirmados desde 2010

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019 teve 5,09 milhões de inscrições confirmadas, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O balanço, divulgado nesta terça-feira (28), considera o total de isentos e de pessoas que pagaram o boleto de R$ 85 que venceu na quinta (23).

O número de participantes confirmados é o menor desde 2010, quando 4,62 milhões de pessoas terminaram o processo de inscrição aptas a participar do exame.

O percentual de estudantes que confirmaram a inscrição, em relação ao total de inscrições feitas, foi o menor registrado na série histórica, que vai de 2015 a 2019. Em 2019, 79,8% dos inscritos confirmaram a participação. O maior percentual de confirmação ocorreu em 2016, quando 93% dos participantes concluíram a inscrição.

Pagantes e isentos

Os pagantes da taxa de inscrição representam 41,5% dos participantes em 2019. A taxa de inscrição custou R$ 85 neste ano. No ano passado, o percentual de pagantes foi menor: 36,1% do total.

A proporção de estudantes isentos da taxa foi a menor registrada na série histórica, que tem início em 2015. No ano de 2016 foi registrado o maior percentual de isenções: 76,81% dos estudantes não pagaram a taxa de inscrição naquele ano.

Perfil dos participantes

As mulheres seguem sendo a maioria entre os candidatos do Enem: 59,5% dos participantes confirmados são do sexo feminino, contra 40,5% do sexo masculino.

Em relação à faixa etária, o grupo mais prevalente (26,7%) tem de 21 a 30 anos. Neste ano, 17,8% das inscrições confirmadas são de estudantes de 17 anos e 15,9% de alunos com 18 anos.

A maior parte dos candidatos confirmados é negra: 46,4% se autodeclararam pardos e 12,7%, pretos. Brancos são 36% dos confirmados.

Em relação à situação escolar, 28,8% das inscrições são de estudantes que concluem o ensino médio neste ano. Os egressos, aqueles que já se formaram em anos anteriores, representam 58,7%. E os treineiros, participantes que não vão concluir a educação básica em 2019, são 12,1% dos inscritos.

O Sudeste é a região com maior percentual de inscritos: 35% dos candidatos confirmados moram na região. O Nordeste tem 34% dos inscritos, seguido do Norte, com 12% das candidaturas. O Sul tem 11% dos confirmados e o Centro-Oeste, 8%.

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Pouco invasiva, técnica brasileira inova ao usar ‘prótese bovina’ para coração

São Paulo – Quando o lendário cirurgião sul-africano Christiaan Barnard gritou em africâner: “Dit gaan werk!” (ele vai funcionar!) no dia 3 de dezembro de 1967, ao terminar na Cidade do Cabo o famoso transplante que mudou a história da Medicina, ninguém imaginava que meio século depois o médico brasileiro Diego Gaia, de 41 anos, da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), seguiria na viagem científica coração adentro com um cateter levando uma válvula cardíaca de tecido bovino acoplada a um stent para instalar, pela primeira vez em humanos, uma prótese especial na aorta.

Apresentada em um congresso em Paris em maio, a técnica foi selecionada entre os oito melhores, em um universo de mais de 1,4 mil trabalhos. Também foi premiada como “Melhor Caso do Ano – 2019” em um congresso internacional sobre válvulas que ocorrerá em novembro deste ano.

“Até pouco tempo, a substituição da válvula do coração e da aorta ascendente, que sai do coração, nos obrigava a abrir o peito do paciente, parar o coração e colocá-lo na máquina coração-pulmão para podermos realizar a substituição, com risco grande para o paciente e longa recuperação”, diz Gaia em entrevista ao Estado, em São Paulo.

A Medicina já permitia o tratamento só da válvula ou só da aorta de maneira endovascular, por cateterismo, sem a necessidade de abertura do peito do paciente, que dificulta a recuperação. A inovação foi “juntar as duas tecnologias e criar uma prótese única para substituir a cirurgia convencional, chamada de Bentall”, explica Gaia.

“Por ela ser feita de maneira endovascular, passamos a chamar de Endobentall”, diz ele. O implante desse avanço científico, sob protocolo experimental, ocorreu em um hospital de Assunção, no Paraguai, onde mora Sebastiana Mendieta de Colmán, de 65 anos, paciente que já havia passado por outras sete cirurgias cardíacas. Planejada por uma equipe durante pelo menos seis meses, a operação feita por Gaia durou 6h30.

O trabalho do médico dentro do coração consumiu quatro horas. O cateter entrou por uma abertura de 5 centímetros ao lado do peito da doente, levando a nova engenhoca cardíaca, de tecido pericárdio de boi e metal nitinol (liga de níquel e titânio), compactada em laboratório. O acesso foi na ponta do coração (ápice) e seguiu através do ventrículo esquerdo até o local da calcificação da aorta a ser corrigido. Lá, monitorada por aparelhos, a prótese foi liberada, expandiu-se e voltou à forma original, com o auxílio de um balão, normalizando o fluxo do sangue. “Nós não tínhamos segunda chance”, comenta.

De acordo com o cardiologista Enio Buffolo, também professor da Unifesp, a técnica usada por Diego Gaia é original. Ele afirma que a iniciativa ainda não pode substituir tratamentos nem deve ter uso imediato na população, mas destaca que é um avanço importante para a medicina cardíaca e já foi reconhecida na comunidade em fóruns mundiais.

“Essa prótese especial foi desenvolvida para a paciente sob prescrição dos médicos”, afirma o engenheiro Rafael Braile, diretor da Braile Biomédica, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, que produz válvulas cardíacas, stents e outros equipamentos há 40 anos. A solução para esse caso foi desenvolvida em parceria com Gaia. A cirurgia foi “pelo modelo compassivo”, ou seja, uma doação, conta o cirurgião.

De Assunção, pelo telefone, dona Sebastiana conta que, nove meses depois da cirurgia, está bem de saúde. “Sem restrições de alimentação, a não ser as da hipertensão e de diabete”, explica ao Estado. “Mas nenhuma restrição sobre a cirurgia da prótese”, diz a funcionária pública.

Sebastiana não se cansa de agradecer aos médicos. Lembra que já havia passado por outras cirurgias, duas delas com peito aberto. Diz ainda que, depois dessa vez, teve alta da UTI em três dias. Explica também que faz caminhadas, tem vida normal, mas toma remédios contra tromboses.

Alto risco

Segundo Gaia, a nova técnica, indicada para pacientes de alto risco, pode beneficiar milhares de pessoas com complicações cardíacas. “Os dados dos Estados Unidos (2006-2011) mostram cerca de 30 mil casos e índices de mortalidade de 11,7%.” Com mais de mil cirurgias desde 2007, o professor explica que o avanço vai além das trocas de válvulas da aorta com mau funcionamento, como a aorta de porcelana (alta calcificação) – caso de Sebastiana.

Essa delicada ousadia científica no interior do coração permite que um novo tipo de cirurgia prolongue uma vida usando válvulas transcateter e stents, como em um jogo de videogame. Hoje, próteses podem durar até 20 anos. Para além disso, é possível executar correções “valve-in-valve” – uma válvula dentro de outra já instalada – também sem necessidade de abertura do peito.

Avanço

Para o médico Domingo Braile, de 81 anos, criador da empresa produtora da prótese Endobentall, o sucesso da técnica mostra que o momento é de formação de novos profissionais e a Medicina avançou bastante no tratamento de pacientes de alto risco cardíaco.

Braile conta que a empresa foi criada em 1977. Ele foi aluno do lendário Euryclides Zerbini (1912-1993), que menos de um ano depois do feito histórico de Barnard (1922-2001) realizou em São Paulo o transplante de coração brasileiro. Foi exatamente a ciência aplicada por Zerbini em maio de 1968 que terminou por levar o governo paulista a investir no centro médico, referência mundial.

“Zerbini falava que, se não fôssemos capazes de fazer insumos, jamais teríamos cirurgia cardíaca no País”, lembra Braile. “Hoje, o Brasil é o segundo país em cirurgia cardíaca, atrás só dos Estados Unidos e sem dinheiro.” O transplante de coração continua sendo necessário para casos de insuficiência cardíaca, diz ele, pois “32% das mortes são por doenças cardiovasculares”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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H&M pega carona na campanha pela Amazônia e suspende compra de couro brasileiro

Incêndios na Amazônia
Uma pilha de troncos em uma empresa madeireira na Floresta Nacional de Jacundá, em Rondônia. Luis Andres Henao – AP

Decisão do gigante sueco, alvo de denúncias de trabalho escravo, atende a público cada vez mais engajado com o meio ambiente. Ainda que tenha pouco impacto econômico, ela serve como gesto poderoso num momento em que o país se transforma em vilão ambiental.

Depois do dano pelos incêndios e das declarações do presidente brasileiro, um novo golpe na imagem internacional do Brasil. O gigante da moda H&M anunciou nesta quinta-feira que suspenderá imediatamente a compra de couro do Brasil “devido à conexão dos graves incêndios da Amazônia com a produção pecuarista”. A empresa sueca, que é a segunda maior varejista de moda do mundo depois da espanhola Inditex, dona da Zara, anunciou sua decisão justamente no dia em que o Governo do polêmico Jair Bolsonaro lançava uma campanha publicitária dentro e fora de suas fronteiras para reafirmar a soberania brasileira sobre essa região, crucial para frear a mudança climática.

A campanha publicitária reflete a preocupação do Governo com as consequência da indignação mundial pelos queimadas. Paralelamente, o Gabinete decidiu que um bilhão de reais do fundo da Lava Jato, proveniente de multas por corrupção que a Petrobras pagou nos EUA, sejam dedicadas a combater o desmatamento.

Os incêndios em agosto queimaram quatro vezes mais superfície do que no ano passado, segundo dados do Instituto de Pesquisas Espaciais, o que equivale a 4,2 milhões de campos de futebol, segundo o WWF.

A H&M, proprietária de marcas como Other Things e Cos, explicou em nota que a suspensão estará em vigor “até que existam sistemas de controle confiáveis de que o couro não contribui para o dano ambiental na Amazônia”. Começa a ocorrer o que os exportadores do poderosíssimo setor agropecuário brasileiro mais temem: uma campanha de boicote aos seus produtos promovida por empresas europeias, com uma clientela cada vez mais preocupada com a mudança climática. A H&M se soma à firma VFcorp, proprietária da Timberland, Vans e The North Face, que na semana passada anunciou que deixaria de comprar couro brasileiro.

A decisão do gigante sueco, alvo de denúncias de trabalho escravo pelo mundo, atende a um público cada vez mais engajado com o meio ambiente. Ainda que tenha pouco impacto econômico, ela serve como um gesto poderoso num momento em que o Brasil se transformou em um vilão ambiental. A Suécia é justamente a pátria de Greta Thunberg, a mais recente catalisadora da preocupação ecológica dos europeus.

Nas últimas semanas mandatários estrangeiros, com o francês Emmanuel Macron à frente, vêm fazendo críticas a Bolsonaro por seu desprezo à preservação ambiental. Desde que chegou ao poder, em janeiro, o desmatamento aumentou e a fiscalização se enfraqueceu.

Se as consequências econômicas são limitadas, outra coisa são os reflexos em termos de reputação e políticos. As exportações de couro do Brasil somaram 1,44 bilhão de dólares (quase seis bilhões de reais) em 2018, dirigidas principalmente aos Estados Unidos, China e Itália, segundo a Associação Brasileira de Curtidos. E uma porta-voz da H&M disse à Reuters que só uma pequena parte do couro que a empresa usa vem do Brasil, porque a maioria procede da Europa.

A campanha governamental “Amazônia para o Brasil” reivindica essa região em termos patrióticos e gaba-se de ser “um exemplo mundial de preservação, conservação e sustentabilidade ambiental”. E recorda que mantém intacta 84% de sua flora na Amazônia, e 60% em todo o país. O Brasil foi considerado um líder ecológico nos últimos anos, mas os críticos de Bolsonaro, incluídos todos os ex-ministros de Meio Ambiente vivos, afirmam que este Governo está destruindo os alicerces desses avanços.

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Crânio de leão-das-cavernas extinto há 30 mil anos é encontrado na Sibéria

Um grupo de arqueólogos encontrou em Krasnoiarsk, na Sibéria (Rússia), um lugar onde os caçadores da Idade da Pedra desmembravam animais. Entre os restos mortais, os especialistas encontraram o crânio de um leão-das-cavernas (Panthera leo spelaea).

A descoberta, que pertence ao Paleolítico, teria entre 20 mil e 30 mil anos. As escavações foram realizadas em um local onde novas casas estão sendo construídas.

“Durante as escavações (…) foi encontrado um material arqueológico e de paleofauna [fauna da Idade da Pedra] interessantes. Trata-se principalmente de ossos de cavalos, renas, veados e bisões. Entre eles estava a cabeça de leão-das-cavernas, que agora está sendo analisada em laboratório”, disse à a agência TASS Ígor Filátov, representante da organização de Geoarqueologia de Krasnoiarsk.

Segundo o especialista, esse tipo de descoberta é rara na Sibéria e na Rússia em geral. Os arqueólogos também descobriram uma grande quantidade de instrumentos de trabalho antigos: lascas, furadores, e ferramentas para cortar.

“No total, existem mais de dois mil objetos. Nesse local, o homem das cavernas abria as carcaças de animais, quebrava os ossos e removia a medula óssea”, diz o arqueólogo.

Os leões-das-cavernas eram felinos enormes de uma espécie já extinta. Eles viveram nos territórios da Europa e da Sibéria na última fase do Pleistoceno (300 mil a 10 mil anos atrás). Este animal foi amplamente representado na arte pré-histórica.

fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/09/16/cranio-de-leao-das-cavernas-extinto-ha-30-mil-anos-e-encontrado-na-siberia.ghtml

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Ecossistema de inovação no Brasil: as lacunas que precisamos preencher

Apesar da satisfatória presença de comunidades de empreendedorismo tecnológico no território brasileiro, ainda existe elevada concentração no Sul e no Sudeste

Cidades do sudeste, como São Paulo (foto), são as que mais recebem investimentos em inovação
Cidades do sudeste, como São Paulo (foto), são as que mais recebem investimentos em inovação

O ecossistema de inovação brasileiro é o mais robusto da América Latina e Caribe, e chegou a esse patamar em menos de 20 anos. A magnitude dos avanços em tão pouco tempo impressiona, não apenas pelo tamanho do ecossistema —startups, estímulo à pesquisa, hubs de fomento ao empreendedorismo, incubadoras, aceleradoras, espaços de coworking, instituições de capacitação, redes de investidores e fundos—, mas também por sua qualidade e capacidade de impulsionar o desenvolvimento. E não faltam áreas que comprovem o crescente impacto à sociedade por meio de tecnologias escalonáveis: saúde, educação, mobilidade urbana, saneamento básico, inteligência tributária, apenas para citar algumas.

Não por acaso, o Brasil é destino de quase 50% dos investimentos de capital estrangeiro em negócios da região, e o número de unicórnios —empresas que alcançam valores de mercado acima de US$ 1 bilhão— vem se superando anualmente. Mas ainda há muito o que ser conquistado, afinal o ecossistema brasileiro continua em formação e, portanto, sua trajetória apresenta lacunas internas e externas que desaceleram sua capacidade de gerar ainda mais entregas, principalmente no longo prazo e de maneira mais abrangente, inclusiva e integrada.

Uma delas é a pulverização da inovação pelo país. Apesar da satisfatória presença de comunidades de empreendedorismo tecnológico em sua extensão territorial, com atuação importante em localidades como Tocantins, Roraima, Pernambuco, Mato Grosso e Goiás, ainda existe elevada concentração no Sul e no Sudeste.

O justificado direcionamento econômico dessas regiões mostra como o estímulo a ambientes mais produtivos pode fortalecer milhares de startups, especialmente as localizadas em áreas mais vulneráveis. A estratégia? Disseminar a transformação cultural em sua potência máxima para a construção de um mercado fértil ao investimento e, consequentemente, a geração de negócios e empregos. Empreendedores, grandes empresas, sociedade e instituições governamentais são beneficiadas. A união com este último é um exemplo de como atingir velocidade na resolução de problemas na nossa matriz de forma muito mais custo-efetiva. É a reconhecida relação de ganha-ganha.

A mesma aproximação se aplica ao processo de internacionalização do ecossistema nacional. Uma proporção relativamente baixa de negócios no Brasil tem explorado possibilidades além das fronteiras. A recíproca também é verdadeira dado que um número pequeno de startups da América Latina e Caribe estão conectadas ao movimento de inovação interno. Claro que uma razão natural para este cenário é o tamanho do nosso mercado que já tem proporções continentais. No entanto, redirecionar esforços para conquistar espaço vizinho, que apresenta muitas características (e desafios) semelhantes às encontradas no Brasil, é um passo significativo ao intercâmbio de influência entre negócios promissores.

Desta forma, é importante visão unificada para que o ecossistema brasileiro amplie sua capacidade de impacto de forma mundial. A começar pela conexão dentro de casa, integrando cada vez mais todas as regiões do país a um ecossistema estruturado e o envolvimento do setor público em todas as esferas. Além disso, conversar com os países da América Latina e Caribe e do mundo, amplia o poder de oportunidade, retroalimentando as experiências de larga escala. A exemplo das práticas semelhantes adotadas em Israel e Estônia, países que conseguiram reconhecimento internacional de seus ecossistemas.

Preencher as lacunas de um ecossistema de inovação requer esforços contínuos multilaterais, por isso as pontes nunca terminam. Um grande passo para atingir esse resultado é a parceria que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio de seu laboratório de inovação, o BID Lab, e o Cubo Itaú, maior hub de fomento ao empreendedorismo tecnológico da América Latina, anunciam hoje. O objetivo é enfrentar estes desafios de forma comprometida a criar estas e mais conexões de maneira que beneficiem não apenas o ecossistema de inovação brasileiro, mas de toda a região da América Latina e Caribe.

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/03/opinion/1567527700_640376.html

porMarketing Unice

Focos de queimadas na Amazônia são quase 5 mil em setembro, segundo o Inpe

Reprodução do mapa do Banco de Dados de Queimadas, do Inpe, capturada em 6/9. A figura mostra a última imagem do satélite NPP, e cada cruz vermelha é uma detecção de fogo na vegetação. — Foto: Reprodução/BD Queimadas/Inpe
Reprodução do mapa do Banco de Dados de Queimadas, do Inpe, capturada em 6/9. A figura mostra a última imagem do satélite NPP, e cada cruz vermelha é uma detecção de fogo na vegetação. — Foto: Reprodução/BD Queimadas/Inpe

Dado mais recente do Programa Queimadas é do domingo (8). Informações são obtidas por meio de satélites.

Nos primeiros oito dias do mês de setembro foram registrados 4.935 focos de queimadas no bioma Amazônia, de acordo com o sistema de monitoramento de focos ativos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa uma queda de 61% em relação ao mesmo período no ano anterior. O dado mais recente do Programa Queimadas é do domingo (8). O sistema tem atualização diária

Do início de janeiro até o dia 8 de setembro de 2019, o bioma Amazônia acumula 51.760 focos de queimadas. No mesmo período do ano anterior, foram 34.995 focos. O aumento neste ano é, portanto, de 48%.Focos de incêndio no bioma Amazônia (Dados de 1° de janeiro a 8 de setembro de 2018, comparado ao mesmo período de 2019).

Considerando todo o território nacional, o mês de setembro de 2019 começou com menos focos ativos do que setembro de 2018. Até o dia 8, são 12.285 focos de queimadas em setembro deste ano, ante 17.705 nos mesmos dias do ano passado.

No bioma Amazônia, setembro deste ano também registrou menos queimadas nos primeiros dias. Foram 12.831 focos nos primeiros 8 dias de setembro do ano passado, contra 4.935 focos no mesmo período neste ano .No acumulado do ano, de janeiro até 8 de setembro de 2019, o sistema registra 102.786 focos no Brasil, o que representa um aumento de 45% ante os 70.631 focos observados no mesmo período de 2018.

Média de setembro na Amazônia

A média mensal dos últimos anos para setembro no bioma Amazônia é 33.426 focos. O recorde para o mês foi atingido em 2007, quando o índice chegou a 73.141 focos.

Desde o início da série de monitoramento, em 1998, em quase todos os anos o número total de focos no mês de setembro é maior do que o de agosto – dos últimos 21 anos, somente em 5 deles o mês de setembro teve menos focos do que agosto. A temporada de queimadas na Amazônia geralmente se estende durante todo o período de clima mais seco na região, que costuma ir de julho a outubro, mas pode variar de estado para estado.

Maior número em 9 anos

O mês de agosto deste ano terminou com o maior número de focos desde 2010 e registrou índice 19% acima da média dos últimos 21 anos. As queimadas no bioma Amazônia aumentaram 196% em agosto, chegando a 30.901 focos ativos, ante 10.421 no mesmo mês do ano passado.

média de focos do mês de agosto foi ultrapassada no dia 25, quando o site do Inpe indicava 25.934 focos de incêndio no bioma. Se considerarmos todo o território do país, as queimadas também tiveram alta: foram 51.936 focos em agosto, aumento de 128% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram identificados 22.774 focos. Estes são os maiores números registrados para agosto desde 2010, ainda de acordo com dados do Inpe.

Mesmo com chuva, Amazônia tem mais queimadas

A Amazônia teve mais chuvas, mais queimadas e mais alertas de desmatamento entre janeiro e agosto em 2019 do que o registrado no bioma nos mesmos períodos desde 2016. De janeiro a agosto, choveu 11% a mais e houve 34% mais focos de queimadas do que a média de 2016 a 2019.

Os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Inpe foram compilados pelo G1. O período de análise não pôde ser anterior a 2016 porque o sistema de monitoramento de desmate mudou e não permite comparações mais antigas. Em 23 de agosto, durante pronunciamento em rede nacional, Bolsonaro afirmou que a alta de queimadas estava relacionada à falta de chuvas.

“Estamos numa estação tradicionalmente quente, seca e de ventos fortes em que todos os anos, infelizmente, ocorrem queimadas na região amazônica. Nos anos mais chuvosos, as queimadas são menos intensas. Em anos mais quentes, como neste, 2019, elas ocorrem com maior frequência”, afirmou o presidente da República.

Especialistas afirmam que o fogo na Amazônia é causado principalmente pela ação humana.

“Quando é mais seco, a gente pode esperar um aumento grande de queimadas. Mas não dá para dizer que isso está acontecendo este ano. Todas as evidências são de incêndios em áreas desmatadas”, diz Carlos Nobre, cientista e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de São Paulo.

Francisco de Assis Diniz, chefe da previsão do tempo do Inmet, afirmou que “não é um ano mais seco, não tem nenhum local na Amazônia que passou mais de 40 dias sem chuva”.

FONTE: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/02/balanco-das-queimadas-na-amazonia-em-setembro-segundo-o-inpe.ghtml


porMarketing Unice

Como as emoções nas redes sociais nos manipulam e polarizam

É uma boa ideia contar até 10 antes de tuitar

Quando um tuíte contém um termo emocional e moral, é mais provável que seja retuitado.

No Twitter (e nas demais redes sociais) têm mais sucesso as mensagens que apelam às nossas emoções. Um novo estudo mostra que não somente nos sentimos mais impulsionados a compartilhar esses tuítes, como além disso as palavras que se referem às emoções e à moral captam mais nossa atenção do que as neutras.

O trabalho dos psicólogos Ana P. Gantman, William J. Brady e Jay Van Bavel mostra que os termos que apelam ao que acreditamos que é bom ou ruim “são particularmente efetivos no momento de captar nossa atenção”. Isso, como escrevem em um artigo publicado na revista Scientific American, “pode ajudar a explicar a nova realidade política”.

Na primeira experiência de seu trabalho, foram mostrados aos participantes tuítes fictícios com diferentes tipos de palavras usadas como hashtags: as referidas à moral (“crime”, “piedade”, “direito”), à emoção (“medo”, “amor”, “choro”) e às duas coisas ao mesmo tempo (“abuso”, “honra”, “despeito”) captavam mais atenção do que as neutras.

Além disso, também examinaram quase 50.000 tuítes reais sobre três assuntos: o controle de armas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a mudança climática. Os mais compartilhados tendiam também a incluir termos emocionais e morais. De fato, e de acordo com outro estudo anterior dos mesmos autores, é pelo menos 20% mais provável compartilharmos um tuíte se contém uma palavra dessa classe.

Os autores alertam que esse não é o único motivo que explica o sucesso de uma publicação. Por exemplo, o fato de que está sendo muito compartilhada e já seja muito popular pode fazer com que seu sucesso aumente ainda mais.

É mais fácil se indignar

O papel das emoções nas redes sociais já era conhecido, ainda que isso não tenha evitado que sejam usadas para nos manipular (ou tentá-lo) com boatos, mensagens políticas extremamente partidarizadas e provocações.

Jonah Berger, professor da Universidade da Pensilvânia, explicou em seu livro Contagioso, de 2013, que as emoções que nos impulsionam em maior medida a compartilhar conteúdos na Internet estão ligadas ao espanto. Pode ser pela parte negativa, como a indignação por um fato reprovável que nos surpreende, como em sua vertente positiva, como o humor.

A neurocientista norte-americana M. J. Crockett revisou recentemente na revista Nature Human Behavior os últimos estudos sobre o assunto, lembrando que nas redes encontramos mais ações que nos parecem censuráveis do que em pessoa. Talvez um dia vejamos um vizinho que não recicla e constatamos com aborrecimento que o prefeito colocou outra rotatória caótica, mas nas redes podemos encontrar inúmeros erros e más ações de qualquer parte do mundo sem sequer sair do sofá.

Além disso, é mais fácil mostrar nossa indignação: não temos que discutir com nosso vizinho, nos manifestar nas ruas e escrever uma raivosa carta à diretoria do jornal, basta retuitar.

Os riscos da manipulação

Tudo isso não precisa ser negativo: a indignação pública também tem benefícios à sociedade, ao permitir que todos nós possamos castigar ou pelo menos recriminar comportamentos censurados pela maioria (como a corrupção), além de reforçar nossa adesão a uma causa e grupo social com o qual nos identificamos.

Mas tem riscos, como aponta Crockett. Pelo menos três: primeiro, a possibilidade de que nossa participação em movimentos cívicos e sociais seja menos significativa. Já não precisamos cooperar como voluntários e fazer doações, nos satisfazemos somente retuitando.

Segundo, também diminui o nível da indignação: como é fácil nos indignar, pode chegar um momento em que não distinguiremos entre as ofensas reais e as coisas que nos são somente desagradáveis. Para dar um exemplo próximo: é realmente tão indignante que uma conta anônima e quase sem seguidores do Twitter publique piadas ouvidas milhares de vezes sobre Carrero Blanco?

Terceiro, nossas opiniões tendem a se polarizar. As próprias redes permitem que nos agrupemos em câmaras de eco com audiências semelhantes. E, como escreve o psicólogo Jonathan Haidt em A Mente dos Justos, nos unimos a “equipes políticas que compartilham narrativas morais”. Ou seja, o famoso filtro bolha de Eli Pariser.

Por fim nos acostumamos a falar a um público com o qual concordamos, procurando principalmente “recompensas de reputação” ou, nas palavras de Berger, “divisa social”. Ou seja, queremos ganhar pontos com os nossos, não iniciar uma conversa.

Isso faz com que a troca de opiniões com pessoas que pensam diferente (e que simplesmente se enganaram) seja midiatizada (e caricaturizada) por outros membros do grupo. Como escreve o professor de Direito da Universidade Harvard Cass Susstein em seu livro #Republic, as conversas profundas que cruzam barreiras ideológicas são extremamente escassas nas redes sociais.

Consequentemente, corremos o risco de ver os outros como pessoas malvadas e estúpidas em vez de, simplesmente, como pessoas que opinam que há outra maneira de se fazer as coisas que não coincide com o que nós consideramos mais adequado.

Além disso, essas mecânicas nos fazem mais vulneráveis à manipulação: é fácil provocar uma onda de indignação com o objetivo de potencializar uma polarização que o político e o grupo da vez consideram benéfica aos seus interesses, como diz Susstein. De fato, é um dos motivos que ajudam a entender que Donald Trump dedique tanto tempo ao Twitter, diz o linguista George Lakoff. Soltar uma barbaridade nessa rede social o ajuda a marcar o debate: não importa que as mensagens sejam de apoio ou contrárias, seu objetivo é simplesmente pautar a agenda e o faz provocando a indignação e o confronto. Seu caso não é único, evidentemente.

Mas isso pode ser evitado?

O panorama parece desolador, mas os autores do estudo apontam algumas questões que dão um certo otimismo.

De entrada, ainda que se costume prestar atenção à indignação e à manipulação, pelo perigo que significam, somos movidos tanto pelas emoções negativas como pelas positivas. A experiência não oferecia somente etiquetas como “inimigo”, “ódio” e “vergonha”, e sim também “bom”, “herói” e “honra”. De fato, em seu artigo dão o exemplo real da difusão da hashtag #lovewins em 2015: o dia em que os Estados Unidos legalizaram o casamento homossexual em seus 50 Estados, a hashtag teve mais de 2,5 milhões de mensagens no Twitter.

Uma segunda questão é que entender como as emoções nos motivam (indignação incluída) pode nos ajudar a parar segundos antes de compartilhar e tuitar certos conteúdos.

Chris Wetherell, o programador do botão de retuitar no Twitter, introduzido em 2009, se manifestou de maneira semelhante. Recentemente falou sobre essa inovação, afirmando que “provavelmente demos uma arma carregada a uma criança de 4 anos”. Antes era preciso escrever esse RT à mão, o que nos dava alguns segundos para refletir sobre o que iríamos compartilhar.

Em seu editorial da publicação de setembro a Scientific American sugere imaginar que ao lado do botão de retuitar há um botão de pausa. Clicar nele poderia nos servir para pensar se estamos respondendo a um tuíte que somente quer causar barulho, se vale a pena ler o artigo e não somente a manchete, e se só queremos ficar bem diante de nossos amigos e seguidores, demonstrando-lhes que, mais uma vez, somos os bonzinhos.

Precisamos imaginar esse botão porque o Twitter dificilmente o incorporará. Como disse a jornalista Delia Rodríguez, “se a essa altura as plataformas não desenvolveram redes menos nocivas é pela mesma razão pela qual as fábricas tabagistas não criaram cigarros de plantas medicinais. Vai contra a própria essência de seu negócio”. Quanto mais conteúdo publicarmos e compartilharmos, melhor para elas. Mesmo que nos custe uma úlcera.

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/22/tecnologia/1566480798_855818.html

porMarketing Unice

Como uso de agrotóxicos sem orientação e assistência põe agricultores brasileiros em risco

Pesquisa em zona rural no Estado do Rio de Janeiro revelou que 90% dos participantes disseram ter sentido ao menos um sintoma aguda de exposição a pesticidas; apenas 23% disseram ter recebido treinamento ou apoio para manejo desses produtos.

Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009 — Foto: David Bebber
Levantamento feito por professora da UFBA constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009 — Foto: David Bebber

Pesquisas recentes sobre a saúde dos agricultores familiares brasileiros têm chamado a atenção para a prevalência de problemas respiratórios, hormonais, reprodutivos e de alguns tipos de câncer possivelmente associados à exposição aos agrotóxicos.

Apesar de o Brasil ser um dos maiores consumidores mundiais de agrotóxicos, os esforços para medir o impacto desses produtos na saúde dos trabalhadores rurais ainda são incipientes. Em comum, esses novos estudos evidenciam que a falta de orientação e assistência técnica a pequenos agricultores resulta na falta de cuidados adequados para evitar intoxicações. A discussão sobre a segurança dos agrotóxicos está em alta desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, no final de agosto, a aprovação de um novo marco regulatório para agrotóxicos.

Para o pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP Rafael Junqueira Buralli, autor de um estudo sobre a condição respiratória de agricultores familiares expostos a agrotóxicos em uma pequena cidade do Rio de Janeiro, o despreparo é evidente: apenas 22,9% dos trabalhadores rurais avaliados no estudo afirmaram ter recebido treinamento ou apoio técnico para o manejo desses produtos. Entre os parentes dos trabalhadores, que com frequência auxiliam nas atividades de cultivo e também se expõem aos agrotóxicos, nenhum passou por treinamento.

Impacto na saúde respiratória

A pesquisa de Buralli, publicada em 2018 pelo International Journal of Environmental Research and Public Health, avaliou 82 indivíduos da zona rural de São José de Ubá-RJ por meio de questionários, análise de amostras de sangue e espirometria, um exame que mede a capacidade pulmonar.

Os exames revelaram diminuições dos padrões respiratórios nos trabalhadores rurais em comparação a indivíduos não expostos a agrotóxicos. E quanto maior a exposição, medida pela presença de biomarcadores no sangue, pior foi a condição respiratória observada no participante. Sintomas como tosse, alergia nasal e dificuldade para respirar foram mais prevalentes durante o período da safra do que na entressafra, o que sugere um efeito agudo durante o período de maior exposição, diz o pesquisador.

Segundo Buralli, 90% dos participantes também afirmaram sentir com frequência ao menos um sintoma agudo de exposição aos pesticidas, entre os quais os mais comuns foram irritações nas mucosas, dor de cabeça, taquicardia e palpitação, tontura, dor de estômago e câimbras. Além disso, 70% dos entrevistados relataram apresentar ao menos um sintoma crônico, como alterações no sono, irritabilidade e dificuldade de concentração e raciocínio.

Em busca de alterações genéticas

Para ilustrar o grau de desconhecimento da população rural de Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro, o enfermeiro Gilberto Santos de Aguiar, do Programa do Saúde do Trabalhador da Coordenação de Vigilância em Saúde da cidade, conta que ele já viu moradores armazenando água para beber em frascos de agrotóxico.

Aguiar faz parte de um projeto que busca investigar a associação dos agrotóxicos com doenças comuns entre os agricultores. A iniciativa surgiu a partir de um caso de câncer de pulmão em um trabalhador rural da cidade em que o médico identificou a exposição aos agrotóxicos como causa do tumor. “Evidenciamos que muitas vezes o adoecimento de um trabalhador rural não é um adoecimento natural, mas por exposição ao agrotóxico”, diz.

O grupo aplicou um questionário sobre uso de agrotóxicos e presença de sintomas em 41 propriedades rurais da região. O resultado foi encaminhado ao serviço de câncer ocupacional do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que se interessou pelo projeto e hoje conduz um projeto de investigação de alterações genéticas por exposição a agrotóxicos na região.

Para Aguiar, a desinformação é o principal fator de risco para os pequenos agricultores da região. “A maioria dos agricultores utiliza agrotóxicos sem prescrição agronômica. A compra é orientada pelo funcionário do balcão da loja que vende agrotóxico, ou às vezes é feita na porta da propriedade por um carro que leva o kit de veneno”, afirma. Ele diz que não há nenhuma assistência técnica para orientar sobre o modo de uso e nenhuma fiscalização.

Um levantamento do perfil epidemiológico dos trabalhadores rurais de Casimiro de Abreu, publicado pela Revista Brasileira de Enfermagem no início do ano, constatou que 51,8% da população entrevistada afirma nunca usar equipamentos de proteção individual recomendados durante o manejo de agrotóxicos, como botas, luvas e máscaras respiratórias.

Problemas endócrinos e reprodutivos

Em sua pesquisa, que avaliou o impacto dos agrotóxicos na função da tireoide em trabalhadores rurais da soja da cidade de Sertão, no Rio Grande do Sul, a farmacêutica Tanandra Bernieri também constatou o esse tipo de descuido: nenhum dos 46 agricultores entrevistados afirmou utilizar equipamentos de proteção individual corretamente.

Do total, 34,8% afirmou usar luvas apenas na hora de fazer a mistura dos agrotóxicos. “Muitos não sabiam que o agrotóxico pode ser absorvido pela boca quando comem algo com as mãos sujas do produto”, conta Bernieri. “A fonte de informação deles são os vendedores ou pessoas da família e amigos.”

A biomédica Camila Piccoli, mestre pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também pesquisou os efeitos dos agrotóxicos na tireoide de agricultores do Rio Grande do Sul, da cidade de Farroupilha. Ela e sua equipe constataram que a exposição aos agrotóxicos pode estar relacionada a um quadro de aumento do hormônio TSH e diminuição do hormônio T4, principalmente nos homens avaliados, resultando em sintomas análogos ao hipotireoidismo.

Ela também participou de um estudo, coordenado por seu colega Cleber Cremonese, que selecionou jovens de 18 a 23 anos da mesma região e, por meio do exame de espermograma, constatou a diminuição da mobilidade e morfologia do esperma dos jovens rurais em comparação aos jovens urbanos, além de alterações nos hormônios reprodutivos.

“Não se pode afirmar que as alterações estejam relacionadas somente ao uso de agrotóxicos”, afirma Piccoli. Mas os dados sugerem que os agrotóxicos podem estar relacionados ao fenômeno, principalmente por se tratar de uma população jovem, sem outros fatores de risco.

Novo marco regulatório

novo marco regulatório anunciado pela Anvisa traz mudanças na classificação toxicológica dos agrotóxicos e inclui mudanças na rotulagem dos produtos. Segundo a agência, as alterações podem facilitar a identificação de perigos à vida e à saúde humana.

Ao mesmo tempo, alguns produtos podem ser reclassificados para um grau de toxicidade menor, já que o novo critério leva em conta apenas estudos de mortalidade, desconsiderando outros sintomas comuns que não levam à morte. Para alguns dos pesquisadores que atuam na área, ainda não está claro se a nova classificação impactará a segurança dos agricultores.

Buralli observa que, como o nível de escolaridade dos agricultores é baixo, com muitos casos de analfabetismo, eles dificilmente leem o rótulo e as instruções da embalagem dos agrotóxicos. “Hoje a instrução parte mais dos técnicos nas lojas agropecuárias. Por isso, o ensino continuado providenciado pelas agências é muito mais importante do que o que está na bula”, afirma.

Para Vilma Santana, professora titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a mudança é preocupante, já que usa como critério somente a morte por intoxicação aguda, quando os casos mais comuns são os de intoxicação crônica.

“Se já temos uma situação de desproteção por conta do baixo nível de importância que se dá ao comportamento preventivo, do baixo nível de escolaridade do agricultor, e do uso indiscriminado de agrotóxico, se o nível de controle é reduzido, eu acredito que as consequências podem ser desastrosas.”

Santana é autora de um levantamento que constatou que houve 1.309 mortes por intoxicação ocupacional provocada por agrotóxicos em trabalhadores rurais entre 2000 e 2009, levando a uma mortalidade de 0,39 por 100 mil no ano de 2009.

“A mortalidade é pequena, mas no mundo desenvolvido, como na Inglaterra, um país que tem agricultura forte, nem se estima a mortalidade porque o número de casos de intoxicação aguda por agrotóxico é praticamente nulo”, afirma.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2019/09/09/como-uso-de-agrotoxicos-sem-orientacao-e-assistencia-poe-agricultores-brasileiros-em-risco.ghtml


porMarketing Unice

Cortes de verbas desmontam ciência brasileira e restringem pesquisa a mais ricos

Comunidade científica teme paralisação de pesquisas relevantes e perda de governança nas agências de fomento com rumores de fusão entre Capes e CNPq

No total, a agência já cortou 11,8 mil bolsas neste ano.
No total, a agência já cortou 11,8 mil bolsas neste ano.HENRIQUE CARDOZO

Há dois anos, o pesquisador Lucas Pinheiro Dias estuda alternativas para o tratamento de infecções causadas por bactérias já resistentes aos antibióticos existentes no mercado. A pesquisa que ele desenvolve no pós-doutorado em Bioquímica que cursa na Universidade Federal do Ceará (UFC) têm relevância global: um levantamento da ONU estima que, até 2050, 10 milhões de pessoas no mundo poderão morrer anualmente por conta de doenças resistentes a medicamentos, e a Organização Mundial da Saúde considera este problema uma das dez maiores ameaças à saúde pública mundial.

Com dedicação exclusiva ao estudo e recebendo uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de 4.100 reais nos últimos dois anos, Lucas Pinheiro conta ter avançado bastante nos experimentos. Conseguiu desenvolver seis peptídios — material criado com parte de moléculas naturais e proteínas de plantas — que têm dado boas respostas para combater dois tipos de bactérias. Mas esta é uma pesquisa longa e que exige muito trabalho e testes até que os cientistas consigam efetivamente desenvolver uma nova droga para a população. O problema é que o estudo está ameaçado em meio à crise da ciência brasileira, provocada pelos cortes orçamentários na Educação pelo Governo e que há meses vêm afetando o financiamento dos pesquisadores.

Na última segunda-feira, a Capes anunciou o corte de 5.200 bolsas, que deixariam de ser renovadas (ou seja, redistribuídas para novos alunos) para conseguir manter as que estavam ativas. No total, a agência já cortou 11.800 bolsas neste ano. Já o CNPq afirmou nesta semana que não teria como garantir o pagamento de seus 84.000 bolsistas a partir do mês de setembro por falta de verbas. Na tarde da última terça-feira, o ministro Marcos Pontes prometeu um remanejamento interno no orçamento do órgão para conseguir pagar os 82 milhões de reais necessários para parar as bolsas de pesquisa previstas para setembro. Mas ainda não há qualquer garantia de continuidade dessas bolsas até o fim do ano. A proposta orçamentária para o ano que vem também não é animadora: o Governo prevê um aumento de 22% em relação ao orçamento deste ano ao CNPq. No entanto, o valor para 2020, de 962 milhões de reais, não cobre os 1 bilhão de reais da folha de pagamento das bolsas da agência. Por enquanto, entidades ligadas à produção científica brasileira tentam chamar a atenção do Congresso para os prejuízos à pesquisa brasileira, caso a previsão orçamentária não seja corrigida pelos parlamentares.

Por conta do contingenciamento de recursos, Lucas Pinheiro — que é o responsável pela maior parte do trabalho no laboratório — não teve a bolsa renovada no último mês, como acontecia a cada semestre. “Se fosse só pelo dinheiro, a pesquisa teria parado total porque, embora o projeto tenha outro bolsista que está regular, todas as análises são feitas por mim”, explica o pesquisador, que continua trabalhando, se mantendo no último mês graças às economias que começou a fazer quando começaram os rumores do corte. Esses recursos pessoais, porém, não devem durar muito, e ele estuda formas de conseguir continuar seu estudo. “Mesmo com o cenário desanimador e sem receber, continuo frequentando o laboratório e desenvolvendo algumas atividades. Vou completar um mês sem bolsa pra não perder a minha pesquisa”, conta.

Se por um lado os cortes preocupam pela paralisação de pesquisas importantes no curto prazo, pesquisadores temem que a crise desemboque em uma conjuntura ainda mais grave: o desmonte da produção científica brasileira. A Capes e o CNPq são as duas principais agências de fomento à pesquisa no Brasil. A primeira, vinculada ao Ministério da Educação, é focada no apoio às pós-graduações das Instituições de Ensino Superior. Já o CNPq, agência ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, atua prioritariamente no apoio aos pesquisadores individualmente em todos os níveis, incluindo estudantes de ensino médio e de graduação. Ambas vêm sofrendo com os cortes de verbas.

A pesquisadora Anna Venturini terminou recentemente o doutorado em Ciências Políticas, no qual estudou a criação de ações afirmativas pelos programas de pós-graduação de universidades públicas em todo o Brasil. Para isso, analisou os editais de 2.763 programas de pós-graduação em publicados até janeiro de 2018, inclusive alguns programas específicos para garantir não só o acesso, mas a permanência de minorias nas universidades. Com base nesta pesquisa, ela analisa que o corte das bolsas fará com que apenas pessoas com mais recursos financeiros devem conseguir fazer um mestrado ou doutorado sem bolsa, já que as instituições de ensino exigem dedicação exclusiva.

“Enquanto o mercado não valorizar a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), será difícil falar em conciliação. E entre um emprego remunerado e um não remunerado, as pessoas farão escolhas a depender de suas capacidades financeiras”, argumenta. Para ela, outra alternativa para viabilizar a permanência dos pesquisadores na universidade é acabar com a dedicação exclusiva. “Mas isso afetaria fortemente a qualidade das pesquisas”, emenda.

Anna Venturini lamenta os cortes das bolsas em uma conjuntura cujos valores já estavam defasados. Um mestrando ganha, em média, 1.500 reais mensais, por exemplo. “Lamento esses cortes em um momento em que os programas estavam se estruturando para tornar a pós-graduação mais inclusiva e representativa da sociedade em termos sociais e raciais, como constatei na minha pesquisa”, finaliza.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira, diz que é difícil contabilizar o impacto dos cortes, mas pondera que sem garantir a presença de bolsistas de iniciação científica, mestrandos e doutorandos nos laboratórios, é difícil conseguir avançar nas pesquisas desenvolvidas nas mais diversas áreas — de saúde e meio ambiente.  “Esses cortes afetam imediatamente uma série de pesquisas, mas o fundamental é que desmonta um sistema de ciência e tecnologia que vinha crescendo nas últimas décadas”, completa ele. Moreira se preocupa com o impacto global da paralisia da pesquisa brasileira.

A comunidade científica também vem se manifestando contra uma ideia que ronda os bastidores do Governo no sentido de fundir a Capes e o CNPq, duas instituições que atuam de forma complementar, para fomentar a pesquisa. “Esta é uma péssima ideia. São duas agências que existem desde os anos 1950 e que atuam de forma complementar, mas têm praticas diferentes”, explica Ildeu de Castro. Além das diferentes funções exercidas por cada agência, o temor é de que a fusão enfraqueça ainda mais a governança, a importância e o orçamento delas. Para Ildeu de Castro, os cortes sucessivos que vêm ocorrendo já ameaçam a imagem da ciência brasileira no exterior. Ele teme que, caso os cortes não sejam revertidos, haja uma saída mais rápida de pesquisadores das universidades brasileiras, o que enfraquece o desenvolvimento do país.

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/09/03/politica/1567542296_718545.html

porMarketing Unice

Em julho, micro e pequenas empresas geraram 41,5 mil vagas de trabalho.

As micro e pequenas empresas (MPE) foram responsáveis, em julho, pela criação de 41,5 mil empregos com carteira assinada no país –ou seja, 95% de todos os 43,8 mil empregos gerados (entre MPE, médias e grandes corporações e os da administração pública). As informações são do Sebrae Nacional, que fez o levantamento baseado em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.

Em julho, as MPE do setor de Serviços geraram cerca de 20 mil postos de trabalho –destaque para o ramo imobiliário (15,2 mil). Em seguida, vêm as micro e pequenas empresas da Construção Civil (14 mil novas vagas). Entre os estados, São Paulo lidera a geração de empregos em julho deste ano (12.847 novas vagas), seguido por Minas Gerais (7.525 empregos). Com isso, a região Sudeste registrou o maior volume de postos de trabalho no mês passado no país, com mais de 20 mil novas contratações. A região Centro-Oeste ficou na segunda posição no ranking regional, com 6.700 novas vagas.

No acumulado de janeiro a julho, as micro e pequenas abriram 437,6 mil vagas, 2,4% acima do registrado pelo setor no mesmo período do ano passado. No setor de Serviços, os pequenos negócios foram responsáveis pela criação de 273,1 mil novos postos de trabalho. Já as MPE ligadas ao Comércio registraram saldo negativo de emprego, com o fechamento de 44,1 mil vagas, ou seja, mais demitiram do que contrataram nos primeiros sete meses deste ano.

FONTE: https://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2019/08/27/micro-e-pequenas-empresas-saldo-geracao-emprego-julho.htm