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porMarketing Unice

Mercado financeiro prevê menos inflação e alta maior do PIB em 2019

Projeção de inflação dos analistas para este ano caiu de 3,76% para 3,71% Expectativa de crescimento do PIB passou de 0,81% para 0,83%. Números são resultado de pesquisa do BC.

 

Os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de inflação para 2019 e também elevaram a previsão de crescimento da economia neste ano. A projeção constam no boletim de mercado conhecido como relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC). O relatório é resultado de levantamento feito na semana passada com mais de 100 instituições financeiras. De acordo com a instituição, os analistas do mercado financeiro baixaram a estimativa de inflação para este ano de 3,76% para 3,71%. Foi a segunda queda seguida do indicador.

Com isso, a expectativa de inflação do mercado para 2019 segue abaixo da meta central, de 4,25%. O intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2020, o mercado financeiro manteve a estimativa de inflação em 3,90%. No próximo ano, a meta central de inflação é de 4% e terá sido oficialmente cumprida se o IPCA oscilar entre 2,5% e 5,5%.

PIB

Para este ano, a estimativa de alta do PIB subiu de 0,81% para 0,83%. Para 2020, a previsão de crescimento do PIB avançou de 2,1% para 2,2%. O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira.

Para 2019, a previsão do Banco Central é de uma alta de 0,8%, e a do Ministério da Economia é de um crescimento de 0,81%.

Outras estimativas

  • Taxa de juros – O mercado manteve em 5% ao ano a previsão para a taxa Selic no fim de 2019. Atualmente, a taxa de juros está em 6% ao ano. Com isso, o mercado segue prevendo queda nos juros neste ano. Para o fim de 2020, a previsão continuou em 5,50% ao ano. Desse modo, os analistas continuam estimando alta dos juros no próximo ano.
  • Dólar – A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2019 subiu de R$ 3,75 para R$ 3,78 por dólar. Para o fechamento de 2020, foi elevada de R$ 3,80 para R$ 3,81 por dólar.
  • Balança comercial – Para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2019 permaneceu em US$ 52 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado subiu de US$ 47,60 bilhões para US$ 48 bilhões.
  • Investimento estrangeiro – A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2019, ficou estável em US$ 85 bilhões. Para 2020, a estimativa dos analistas recuou de US$ 85,28 bilhões para US$ 84,68 bilhões.

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/08/19/mercado-financeiro-preve-menos-inflacao-e-alta-maior-do-pib-em-2019.ghtml

porMarketing Unice

Joanne Chory: “As plantas estão estressadas, florescem em épocas que não deveriam”

Botânica e geneticista do Instituto Salk, Joanne Chory foi premiada por seu revolucionário projeto sobre o emprego de cultivos na redução do CO2.

Joanne Chory acredita que uma das ferramentas mais efetivas para frear a mudança climática está diante de nós. Não é preciso fabricar nada. É algo que vem sendo naturalmente aperfeiçoado há milhões de anos, e basta direcionar um pouco o processo para que tenhamos um importante impacto na redução das concentrações atmosféricas de CO2. Com uma modificação genética, as plantas podem desenvolver raízes mais duras e profundas, que retenham parte do CO2 que elas normalmente expelem na atmosfera ao apodrecerem. Em grande escala, se isso se aplicar nos grandes cultivos de cereais do mundo, poderia reduzir em 20% a emissão de dióxido de carbono decorrente da mudança climática. A ideia de Chory (Boston, 63 anos) lhe valeu o Prêmio Princesa de Astúrias de Pesquisa deste ano. Ela recebeu a reportagem do EL PAÍS no seu escritório do Instituto Salk em La Jolla, Califórnia. Os sintomas do Parkinson que lhe foi diagnosticado há 15 anos já são muito visíveis. Mesmo assim, continua indo diariamente ao trabalho. No mínimo, é um estímulo para correr mais depressa na batalha pelo planeta.

Pergunta. Quando começou a pesquisar a genética das plantas, há 30 anos, o aquecimento global só era estudado pelos especialistas em clima, não preocupava outras disciplinas.

Resposta. Sim, o resto da comunidade científica estava dormindo. Os jornais mal falavam disso. O debate estava circunscrito à climatologia. Como em tudo, há um mainstream na ciência. Não sei de quem é a culpa, ou se há uma culpa. Talvez as pessoas não tivessem suficiente informação para perceber que nós estávamos causando o problema.

P. Que efeito tem a mudança climática sobre as plantas?

R. Todas as plantas estão estressadas. Há 20 anos é fácil de ver. Noto no meu jardim: tudo floresce quando não deveria. Tenho uma magnólia chinesa que está dando flor no meio do inverno, não tem nenhum sentido. E depois morre no verão, quando deveria estar verde e bonita. Costumo dizer que minha magnólia vive no fuso horário da China e tem jet lag.

P. Seu projeto em questão, como ele favorece que as plantas participem da luta contra a mudança climática?

R. O objetivo é ajudar as plantas a redistribuírem parte do dióxido de carbono que absorvem normalmente com a fotossíntese. Ou seja, pegam CO2 do ar e água da terra, e por meio da fotossíntese o transformam em açúcares. Quando a planta morre, esses açúcares voltam para a atmosfera transformados novamente em dióxido de carbono. Nosso projeto busca que a planta guarde esse CO2 em uma parte que seja resistente à decomposição. Os níveis de CO2 são mais altos no inverno, quando acontece a decomposição, e mais baixos quando as plantas estão crescendo. Isso nos indica que há uma forma de facilitar que as plantas ajudem a reduzir o dióxido de carbono.

P. Como são essas plantas modificadas?

porMarketing Unice

Por que há tantos casos? Quais são os sintomas? 16 dúvidas sobre o surto e a vacinação do sarampo.

Campanha de vacinação contra a doença termina nesta sexta-feira, mas vacinas continuarão a ser dadas nos postos de saúde, e quem não tem certeza de estar imunizado deve tomá-las, diz Ministério da Saúde. O sarampo volta a preocupar no país: no Estado de São Paulo, principal foco do surto atual, já tem 1.319 casos confirmados da doença, segundo dados da secretaria estadual da Saúde. A maioria dos pacientes (997) se concentra na capital. O Ministério da Saúde, que deve atualizar seu boletim nesta sexta-feira (16/08), tem até o momento contabilizados casos também no Rio (4), um na Bahia e um no Paraná.

O Brasil chegou a receber, em 2016, o certificado da Organização PanAmericana de Saúde de país livre do sarampo, mas o surto atual – bem como o ocorrido no ano passado, em Rondônia e Amazonas – trouxeram a doença de volta ao centro das discussões de saúde pública. É também na sexta-feira que acaba a campanha nacional de vacinação contra a doença, mas, segundo o Ministério da Saúde, a vacina continuará disponível nos postos de saúde e na rede particular.

1. Por que São Paulo é o foco do surto atual?

Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto Emilio Ribas (SP), explica que o vírus em circulação atualmente é geneticamente semelhante ao que tem circulado na Europa e em Israel. “E São Paulo é a porta de entrada do país (pela quantidade de voos), além de a capital ser uma cidade com alta densidade populacional. É muito fácil que seja transmitido no metrô, por exemplo. Uma pessoa infectada transmite para outras 18, com rapidez”, diz à BBC News Brasil.

2. Quem ainda deve tomar a vacina?

Todo mundo que nunca tomou a vacina e todos aqueles que não têm certeza se já tomaram ainda podem procurar os postos de saúde mesmo após o fim.

3. Quem são os mais vulneráveis à doença?

Uma das maiores incidências no surto atual é entre crianças menores de quatro anos, explica Oliveira, o que causa preocupação no Ministério da Saúde. “É o grupo mais vulnerável e também o em que a doença pode ter mais gravidade e até mesmo causar a morte”, diz ele.

4. Quais os sintomas e riscos do sarampo?

Os principais sintomas são febre (acima de 38,5º) e manchas avermelhadas na pele – começam no rosto e atrás das orelhas, e depois, se espalham pelo corpo. Podem vir acompanhados de tosse persistente, irritação nos olhos, coriza e congestão nasal. Pequenas manchas brancas dentro das bochechas também são comuns DNA estágio inicial da doença. Richtmann explica que um grande perigo do sarampo é o fato de ele baixar muito a imunidade do paciente, deixando-o suscetível a outras infecções. “Ele fica mais vulnerável a pneumonias e otite. Outros riscos são vírus do sarampo causar inflamação no pulmão ou encefalite (inflamação do cérebro).” A maior vulnerabilidade é em crianças de até dois.

5. A vacina é segura? Tem riscos?

A vacina, tanto na rede pública quanto na privada, é segura, diz Oliveira, agregando que uma dose protege em 93% dos casos e duas doses têm uma eficácia de 97%. Não adianta tomar doses adicionais, porque a proteção não chegará a 100%. A vacina é feita de vírus vivo atenuado (enfraquecido) e atua de forma a estimular o sistema imunológico a desenvolver anticorpos para combater os “invasores”. Ela é administrada por injeção subcutânea. Algumas pessoas podem ter reações, mas, no geral, elas são leves, benignas, de curta duração e autolimitadas. As mais comuns são dor e vermelhidão no local da aplicação e febre.

6. Há gente que se vacinou e mesmo assim ficou doente. Por quê?

Segundo Oliveira, do Ministério da Saúde, isso se deve justamente a esse grupo de 7% a 3% que não fica totalmente protegido pela vacina. “Mas, nos vacinados que apresentarem sintomas, a doença será mais branda e menos transmissível”, afirma.

7. Depois da vacina, quanto tempo leva para eu criar anticorpos?

Segundo Richtmann, o tempo de incubação é de duas semanas. O que significa que podem passar duas semanas entre se vacinar e criar anticorpos. O mesmo tempo pode levar entre entre o contato com o sarampo e os primeiros sinais da doença. Antes de viajar para locais com incidência da doença, deve-se procurar um posto.

8. Posso estar transmitindo o vírus mesmo sem ter sintomas?

Sim, explica Oliveira. “O vírus, ao entrar no organismo, já se reproduz. Pode levar, em média, quatro a seis dias para que (uma pessoa infectada) tenha manchas na pele e febre, mas mesmo antes disso ela já está disseminando a doença. Por isso ela é altamente contagiosa.”

9. O vírus em circulação atualmente é diferente do de outras épocas?

Richtmann explica que eventuais mutações genéticas do vírus ainda estão sendo estudadas, mas agrega que isso não põe em xeque, até o momento, a eficácia da vacina disponível. Oliveira destaca que há diferentes subtipos da doença, mas “as características de todos são reconhecidas pelo nosso sistema imunológico”. O que significa que a vacina protege contra todos os subtipos, e que quem já teve sarampo também está protegido contra todos.

10. Se eu acho que estou com sarampo, o que devo fazer?

“A primeira coisa a fazer é não ir ao trabalho, à escola ou ao shopping”, adverte Rosana Richtmann. Ou seja, evitar qualquer tipo de aglomeração, para não espalhar ainda mais o vírus. Pessoas que estejam se sentindo bem apesar dos sintomas podem ficar de repouso em casa até o ciclo da doença passar, lembrando de se hidratar, comer bem, descansar e tomar medicamentos para baixar a febre. Crianças pequenas, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que estejam inseguras a respeito da doença devem procurar atendimento médico, e exames de sangue podem confirmar se se trata mesmo de sarampo.

11. Como prevenir o sarampo? 

A vacina é a principal medida de prevenção. É bom também lavar sempre as mãos, proteger o espirro e evitar aglomerações.

12. Por que o sarampo voltou?

A epidemia de sarampo é um fenômeno global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização PanAmericana da Saúde (Opas) mostram que, em 2017, a doença foi responsável por 110 mil mortes, a maioria entre crianças menores de cinco anos. Neste ano, ainda segundo as entidades, casos notificados no mundo triplicaram nos sete primeiros meses em comparação com o mesmo período de 2018. Só nas Américas, entre 1º de janeiro e 18 de junho de 2019, a doença foi confirmada em 13 países: Argentina, Bahamas, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, México, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil, diz o Ministério da Saúde, vinha de um histórico de não registrar casos autóctones (adquiridos dentro do país) desde o ano 2000 – entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, um no Ceará e outro em Pernambuco, a partir de casos importados. Em 2018, no entanto, a doença reapareceu na região Norte, nos Estados do Amazonas, Roraima e Pará, acompanhando venezuelanos que fugiam da crise no país. Já os vírus que atingiram São Paulo, neste ano, vieram com pessoas que foram infectadas na Noruega, em Malta e em Israel. O problema é que a cobertura vacinal da patologia no país está abaixo do patamar ideal, que é acima de 95%. Pelas informações do Ministério da Saúde, em 2018, esse índice, relacionado à vacina tríplice viral em crianças de um ano de idade, foi de 90,80%. Em 2015, chegou a 96,7%. E as razões para isso são várias, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem: medo de ter reação à imunização; desconhecimento de que existe um calendário de vacinação específico para adultos e idosos; falsa sensação de segurança por parte de pessoas que não vivenciaram surtos de doenças; dificuldade de acesso aos postos de saúde no horário comercial; notícias falsas relacionadas a vacinas; e grupos antivacina.

13. O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, altamente contagiosa e que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade. Sua transmissão se dá de forma direta, de pessoa a pessoa, por meio das secreções expelidas pelo doente ao tossir, espirrar, respirar e falar.

14. Por que os jovens de 15 a 29 anos foram o foco da campanha recente?

Pessoas de todas as faixas etárias precisam ter as duas doses da vacina, mas os jovens dessa faixa etária nasceram em uma época em que a segunda dose não fazia parte do Calendário Nacional de Vacinação. Assim, muitos não a tomaram e, por isso, não estão totalmente protegidos.

15. Para quem a vacina contra o sarampo não é indicada?

Pessoas com alergia grave ao ovo, pacientes em tratamento com quimioterapia, gestantes, portadores de imunodeficiências congênitas ou adquiridas, quem faz uso de corticoide em doses altas, transplantados de medula óssea e bebês com menos de seis meses de idade.

16. Quem já teve a doença precisa se vacinar?

Não. Quem já foi infectado com o vírus desenvolveu anticorpos contra ele. Dessa forma, não precisa se vacinar, nem pegará a doença de novo…. –

FONTE: //noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2019/08/16/por-que-ha-tantos-casos-quais-sao-os-sintomas-18-duvidas-sobre-o-surto-e-a-vacinacao-do-sarampo.htm?cmpid=copiaecola

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Mulheres indígenas protestam contra municipalização do SUS em aldeias.

Cerca de 300 mulheres de diferentes etnias fizeram um protesto contra a municipalização do atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde), atualmente o serviço é de competência federal. As mulheres entraram em um prédio na região central de Brasília, onde fica a Sesai (Secretaria de Atenção à Saúde Indígena), para pleitear uma reunião com a secretária da pasta, Silvia Waipã. A Polícia Militar acompanha a manifestação e até às 10h15 a reportagem não identificou conflito entre os militares e indígenas.

“O atendimento de saúde prestado pelo governo federal atende parte das nossas necessidades. Mas temos certeza que quando o dinheiro for transferido para os municípios atenderem nas aldeias, o serviço vai piorar”, disse uma das integrantes do movimento, Fabiane Medina. As organizadoras estimam que representantes de 80 etnias indígenas estão acampadas em Brasília desde sexta-feira (9). O grupo pretende se mobilizar para marchar até o Congresso Nacional, amanhã, e pressionar parlamentares a vetar a proposta de municipalização. Durante o ato, índios levantaram faixas contra genocídio indígena e fizeram danças em frente ao prédio. Houve lentidão no trânsito próximo ao prédio.

 

Lideranças indígenas ocupam o anexo do Ministério da Saúde, em Brasília, durante a primeira edição da Marcha das Mulheres Indígenas - Mateus Bonomi/Agif/Estadão ConteúdoLideranças indígenas ocupam o anexo do Ministério da Saúde, em Brasília, durante a primeira edição da Marcha das Mulheres IndígenasImagem: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo

 

fonte: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2019/08/12/mulheres-indigenas-protestam-contra-municipalizacao-do-sus-em-aldeias.htm?

porMarketing Unice

A Escandinávia é uma região que abrange a Península Escandinávia. Os países pertencentes a essa região assemelham-se cultural, histórica e politicamente.

Escandinávia é a denominação utilizada para designar a região que abrange três países: Dinamarca, Noruega e Suécia. Geograficamente, apenas Noruega e Suécia fazem parte da Península Escandinava, contudo, características como língua, história e cultura levaram à inclusão da Dinamarca. Geopoliticamente falando, tendo em vista as semelhanças econômicas, geográficas, políticas e linguísticas, a Finlândia, Islândia e Ilhas Faroé, por vezes, são associadas à Escandinávia.

Turismo na Dinamarca

Dinamarca, conhecida oficialmente como Reino da Dinamarca, tem como língua nacional o dinamarquês. A capital do país é Copenhague. A Dinamarca possui um dos menores índices de desigualdade social do mundo e altos índices de desenvolvimento humano. O país é conhecido também pela segurança reforçada, honestidade e confiança e por ser um dos menos corruptos do mundo. A expectativa de vida supera os 80 anos. A cultura dinamarquesa é bastante progressista, visto que no país prostituição é permitida. Tabus religiosos são condenados e a liberdade sexual é assegurada.

Ponto turístico: Tivoli Gardens

O Tivoli Gardens é um parque situado em Copenhague, inaugurado em 1843, correspondendo ao segundo parque mais antigo do mundo. O parque é repleto de áreas verdes, jardins, lagos, brinquedos, animais, sendo o local ideal para crianças e adolescentes.

→ Turismo na Noruega

Noruega, oficialmente Reino da Noruega, localizado na Península Escandinava, é o país com o mais alto IDH do mundo. Sua capital é Oslo. As políticas econômicas e sociais no país estão associadas à economia de livre mercado e também ao estado de bem-estar social. Em 2009, o país foi considerado pela Organização das Nações Unidas o melhor país para se viver e também o mais pacífico, segundo o Índice Global da Paz. A expectativa de vida na Noruega ultrapassa os 80 anos.

Ponto turístico: Fiorde de Lyse (Lysefjorden)

O fiorde de Lyse localiza-se em Forsand, na Noruega, e é uma das principais atrações turísticas da região. Várias excursões dirigem-se ao local para contemplar a beleza natural. Para quem não conhece, fiorde corresponde a uma grande entrada para o mar situada entre grandes montanhas. O fiorde de Lyse possui aproximadamente 42 quilômetros de comprimento.

 Turismo na Suécia

Suécia, oficialmente designada de Reino da Suécia, é o terceiro maior país da União em Europeia quanto à área. A capital do país é Estocolmo, considerada o centro político, econômico e financeiro do país. Sueco é a língua oficial do país, falada pela maior parte dos habitantes. Com mais de dez milhões de habitantes, o país é o mais populoso entre os países escandinavos. O país apresenta elevado índices de desenvolvimento humano. Uma das principais prioridades do governo sueco é a educação.

Ponto turístico: Palácio Real de Estocolmo (Royal Palace, Stockholm)

O Palácio Real está localizado na ilha de Stadsholmen, na capital da Suécia, Estocolmo. O Palácio é a residência oficial do monarca da Suécia. Atualmente, encontra-se aberto para visitação pública, quando não há eventos oficiais nos salões.

A Escandinávia e os países nórdicos por vezes são designadas como sinônimos. Contudo, apesar de abrangerem áreas de uma mesma região, países nórdicos correspondem a outras nações além das nações que compreendem a Escandinávia.

Os países nórdicos são:

  • Noruega
  • Suécia
  • Dinamarca
  • Finlândia
  • Islândia
  • Regiões autônomas da Groenlândia, Ilhas Faroé e Ilhas Aland.

Juntas, essas nações constituem o chamado Conselho Nórdico (órgão de cooperação entre os países nórdicos). Os países nórdicos apresentam os melhores índices de desenvolvimento humano e melhor qualidade de vida do mundo. Além desses índices, esses países também compartilham semelhanças culturais, sociais, políticas e geográficas.

 

FONTE: https://escolakids.uol.com.br/geografia/escandinavia.htm

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COMUNICADO

A Associação de Ensino Superior de Fortaleza (AESF) vem, por meio deste comunicado, informar novamente a seu corpo discente dos cursos de graduação e de pós-graduação, que não existe obrigatoriedade, pelo aluno, de submeter os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) ao crivo de profissional corretor gramatical-ortográfico e de estilo técnico científico desvinculado da Instituição de Ensino Superior.

Tal comunicado integra uma decisão no âmbito do processo nº 0011926-29.2012.4.05.8100 perante a 1ª Vara Federal no Ceará. Dessa forma, de modo a cumprir na integralidade a decisão, transcreve-se abaixo o dispositivo da sentença, em sua literalidade:

“Em razão do expedido, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos, para determinar que a ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE FORTALEZA – AESF mantenedora FCHFOR – FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DE FORTALEZA, abstenha-se de exigir de seus discentes a revisão gramatical e de estilo técnico-científico por profissional, contratado desvinculadamente à Instituição de Ensino, nos Trabalhos de Conclusão de Curso – TCCs de graduação e pós-graduação, tornando sem efeito quaisquer cláusulas constantes dos contratos já celebrados que imponham referidas condições para obtenção dos precitados serviços escolares e assegurando, ainda, a divulgação do dispositivo desta sentença na página de abertura do site da demandada na internet pelo prazo de 60 (sessenta) dias.

Atendidos os requisitos legais, CONCEDO A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA, para que a promovida ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DE FORTALEZA – AESF mantenedora FCHFOR – FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DE FORTALEZA, dê imediato cumprimento à obrigação de não fazer, no sentido de se abster de exigir de seus discentes a revisão gramatical e de estilo técnico-científico pro profissional, contratado desvinculadamente à Instituição de Ensino, nos Trabalhos de Conclusão de Curso -TCCs de graduação e pós-graduação, bem como dê publicidade do dispositivo da presente sentença na página de abertura do seu site na internet pelo prazo de 60 (sessenta) dias. Cumpra-se. Expedientes necessários e URGENTES.

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O CASAMENTO ENTRE A EXTREMA DIREITA E O MOVIMENTO ANTIVACINA É UM PERIGO PARA O MUNDO

NO INÍCIO do século passado, o Rio de Janeiro estava tomado por lixo, ratos e mosquitos. Surtos das mais variadas doenças matavam aos milhares. O então prefeito Pereira Passos (1902-1906) iniciou um projeto autoritário de urbanização e saneamento da cidade. Para abrir avenidas e praças, demoliu cortiços e empurrou os pobres para os morros e as periferias.

Oswaldo Cruz, que ocupava cargo similar ao de ministro da saúde, liderou uma campanha de vacinação obrigatória para erradicar a varíola. Mas a falta de conhecimento da população sobre a vacina e o modo truculento com que a campanha foi implantada, invadindo casas e vacinando as pessoas na marra com a ajuda de policiais, foi o estopim para a Revolta da Vacina. A cidade virou um campo de batalha, com depredação de prédios públicos, incêndio de bondes e barricadas espalhadas pelas ruas da capital federal.

Mais de cem anos depois, o Brasil pode se orgulhar de ter implantado uma política de vacinação que é referência e apresenta um dos maiores índices de cobertura do mundo. Mas o futuro não é animador. Um levantamento do Ministério da Saúde mostrou que sete das oito vacinas obrigatórias para crianças recém-nascidas não alcançaram a meta de 95% de cobertura no ano passado. Desde 2011, o número de crianças vacinadas com até dois anos vem caindo drasticamente. É um dado preocupante.Um dos motivos apontados por especialistas é a erradicação de algumas doenças, que faz com que alguns pais não vejam necessidade de vacinar seus filhos. O outro é uma crescente onda de desconfiança em relação às vacinas, que vem crescendo no Brasil e no mundo. Doenças que haviam sido banidas estão voltando.

O movimento antivacina não é recente, mas ganhou asas com a internet. Em tempos de pós-verdade, em que o conhecimento científico passou a ser contestado por qualquer youtuber eloquente, a eficácia das vacinas deixou de ser um fato e passou a ser uma questão de opinião. Assim como o terraplanismo e o negacionismo climático, o movimento antivacina tem encontrado guarida na extrema direita mundial. Ele virou parte do pacotão antissistema que agrada os extremistas.

Quando um desses lunáticos que espalham teorias da conspiração passa a ocupar o cargo mais poderoso do mundo, a coisa toma proporções perigosas.

Ao contrário do que afirmou Trump em 2014, nunca houve um caso registrado de criança que se tornou autista após tomar qualquer vacina.

No início do ano passado, quando os EUA passavam por uma temporada de gripe que registrou um recorde de 53 crianças mortas, uma pastora evangélica, conselheira de Trump, orientou a população a não tomar a vacina contra a gripe. Em vez disso, recomendou que se “vacinassem com a palavra de Deus”.

Os EUA têm sofrido com o surto de sarampo. Em janeiro, o estado de Washington declarou estado de emergência após a confirmação de 37 casos, a maioria deles por falta de vacinação. A doença havia sido erradicada no país em 2000, mas voltou a crescer e já bateu o recorde em número de casos em 2019.

A Europa também tem sofrido com a queda da vacinação. Na Itália, a extrema direita está intimamente ligada ao movimento antivacina, que foi impulsionado após a eleição. O político e comediante Beppe Grillo, líder do partido governista Movimento 5 Estrelas, afirmou que as vacinas são tão perigosas como as doenças que pretendem evitar. Em 2015, o partido chegou a propor uma lei contra a vacinação, alegando que ela poderia causar “leucemia, imunodepressão, autismo, câncer, alergias e mutações genéticas hereditárias”.

Massimiliano Fedriga, o maior porta-voz do movimento antivacina da Itália, é também um dos principais políticos da Liga do Norte, o partido de extrema direita do governo italiano. Ele classificou a obrigatoriedade de vacinação do governo anterior como uma medida “stalinista”. Em março deste ano, as crenças de Massimiliano foram atropeladas pela realidade. Ele ficou cinco dias internado por causa de uma catapora e decidiu abandonar a militância antivacina.

No Brasil, a militância não é tão radical nem tão grande como nos EUA e Europa, mas está crescendo. A extrema direita governista, apesar do costume de atacar universidades e rejeitar dados científicos, ainda não abraçou essa conspiração. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tem se mostrado preocupado com a queda no índice de vacinação do país. Ele esteve recentemente na Assembleia Mundial da Saúde e defendeu a ampliação da cobertura da vacinação como prioridade para o mundo.

O ministro parece ter juízo nessa seara. O risco é que, se por algum motivo Mandetta cair, há chance de um nome antivacina substituí-lo. Olavo de Carvalho, que costuma indicar ministros ao presidente, é um cético sobre vacinação. Em 2006, o farol intelectual do bolsonarismo afirmou: “Já li provas científicas eloquentes de que (vacinas) são úteis e de que são perniciosas, e me considero humildemente em dúvida até segunda ordem.”

Em 2008, o guru já se mostrou mais incisivo. Ele foi à loucura com uma campanha de vacinação contra a rubéola. “Essa vacina, ao que tudo indica, tal como aconteceu em outros países, tem dentro uma substância esterilizante. Isso é uma campanha de esterilização em massa”, denunciou antes de xingar o ministro da Saúde da época de “vigarista filho da puta” que “merecia uma cuspida na cara”. Se houver uma nova revolta da vacina, certamente já temos um líder.

Segundo relato da sua filha, Olavo não vacinava os filhos e dois deles tiveram que ser internados por complicações do sarampo.

No YouTube brasileiro, as conspirações antivacina começam a engatinhar. Uma reportagem da BBC mostrou como mentiras importadas sobre o assunto têm feito sucesso no país. Depois que você assiste ao primeiro vídeo demonizando as vacinas, o algoritmo do YouTube te joga para dentro de uma bolha conspiratória. Há desde um médico famoso como Lair Ribeiro criticando a vacina da febre amarela para crianças — o que não faz o menor sentido, segundo especialistas da área — até malucos desconhecidos dizendo que a vacinação é um plano de Bill Gates para esterilizar e reduzir a população mundial. Não é difícil imaginar o perigo desse tipo de informação circulando no país em que a mamadeira de piroca ajudou a eleger um presidente.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde estima que vacinação evita de 2 milhões a 3 milhões de mortes por ano e poderia evitar mais 1,5 milhão se a cobertura fosse melhorada no mundo. O órgão se mostrou tão preocupado com as consequências do movimento antivacina que o incluiu em uma lista dos dez maiores riscos à saúde global em 2019, ao lado de ebola, HIV, dengue e influenza.

Há mais de cem anos, as vacinas eram uma novidade. Sabia-se quase nada sobre elas. As pessoas tinham razão em desconfiar de um líquido sendo introjetado em seus corpos por um governo autoritário. Hoje, mesmo diante da inequívoca revolução que as vacinas trouxeram para a saúde mundial, o negacionismo da ciência avança, conquistando mentes, corações e influenciando governos.

FONTE: https://theintercept.com/2019/07/14/movimento-antivacina-extrema-direita-trump-bolsonaro/

porMarketing Unice

Como a indústria de plásticos luta para continuar poluindo o mundo.

OS ALUNOS DA Westmeade Elementary School trabalharam duro em seu dragão. E valeu a pena. O saco de plástico que as crianças pintaram de verde e enfeitaram com dentes brancos triangulares e uma placa dizendo “me alimente” garantiu aos estudantes do subúrbio de Nashville, nos EUA, o primeiro lugar em um concurso de decoração de caixas de reciclagem. A ideia, como o orgulhoso diretor de Westmeade disse a um programa de TV local, era ajudar o meio ambiente. Mas a verdadeira história por trás do dragão – como acontece com grande parte da escalada da guerra pelo lixo plástico – é mais complicada.

O concurso foi patrocinado pela A Bag’s Life, um esforço de promoção e educação de reciclagem da American Progressive Bag Alliance, a APBA, um grupo de lobby que luta contra as restrições ao plástico. Essa organização faz parte da Plastics Industry Association, um grupo comercial que inclui a Shell Polymers, a LyondellBasell, a Exxon Mobil, a Chevron Phillips, a DowDuPont e a Novolex – todas as quais lucram com a produção contínua de plásticos. E mesmo quando a A Bag’s Life encorajava as crianças a espalhar a mensagem edificante de limpar o lixo plástico, a American Progressive Bag Alliance estava apoiando um projeto de lei que tiraria dos moradores do Tennessee a capacidade de lidar com a crise dos plásticos. A lei tornaria ilegal que os governos locais proibissem ou restringissem as sacolas e outros produtos plásticos de uso único – uma das poucas coisas que realmente reduzem o desperdício de plástico.

Uma semana depois do dragão de Westmeade vencer o concurso, a APBA recebeu sua própria recompensa: o projeto de lei passou pela legislatura estadual do Tennessee. Semanas depois, o governador assinou a lei, sabotando um esforço em andamento em Memphis para cobrar uma taxa pelas sacolas plásticas. Enquanto isso, A Bag’s Life dava às crianças da Westmeade que trabalhavam na caixa um cartão-presente de US$ 100 para usar “como bem entendessem”. E, com isso, uma minúscula fração de sua vasta riqueza, a indústria de plásticos aplicou um verniz verde à sua cada vez mais amarga e desesperada luta para continuar lucrando com um produto que está poluindo o mundo.

A Bag’s Life é apenas uma pequena parte de um esforço massivo liderado pela indústria que busca sufocar as tentativas de redução do desperdício de plástico, mantendo viva a ideia de reciclagem. A realidade da reciclagem de plásticos? Ela está praticamente morta. Em 2015, os Estados Unidos reciclaram cerca de 9% de seus resíduos plásticos e, desde então, o número caiu ainda mais. A grande maioria dos 8,3 bilhões de toneladas métricas de plástico já produzidas – 79% – acabou em aterros sanitários ou espalhados pelo mundo. E quanto àquelas sacolas plásticas que as crianças esperavam conter: menos de 1% das dezenas de bilhões de sacolas plásticas usadas nos EUA a cada ano são de fato recicladas.

Isso não quer dizer que não devamos tentar descartar adequadamente o conjunto de brinquedos, embalagens descartáveis, garrafas, sacos, recipientes para viagem, copos de café, canudos, sachês, potes de iogurte, sacolas, embalagens de barras de chocolate, utensílios, sacos de batatas fritas, tubos de produtos de higiene, eletrônicos e tampas para tudo o que passa diariamente em nossas vidas. Temos que fazer isso. Mas estamos bem além do ponto em que os esforços sinceros de crianças em idade escolar ou de qualquer outra pessoa do lado do consumidor possam resolver o problema dos plásticos. Não importa mais o quanto nos preocupemos. Já existe plástico demais que não se decompõe e, finalmente, não tem para onde ir, seja ele triturado em um recipiente de dragão ou não.

A política National Sword da China

A decisão da China, em 2017, de deixar de receber a grande maioria dos resíduos plásticos de outros países fez estourar o já frágil limite do nosso disfuncional sistema de reciclagem. Naquele ano, quando o governo chinês anunciou a política da National Sword, como é chamada, os Estados Unidos enviaram 931 milhões de quilos de rejeitos plásticos para a China e para Hong Kong. Os EUA têm se livrado de grandes quantidades de lixo dessa forma desde, pelo menos, 1994, quando a Agência de Proteção Ambiental, a EPA, começou a catalogar a exportação de plásticos. A prática serviu para mascarar a crescente crise e absolver os consumidores norte-americanos de culpa. Mas, de fato, grande parte do resíduo de plástico “reciclado” que os EUA enviaram para a China pareceter sido queimada ou enterrada em vez de ser transformada em novos produtos.

Embora a reviravolta da China tenha tornado a falha do sistema de reciclagem de plásticos repentina e inegavelmente óbvia, na verdade, o problema dos plásticos tem estado conosco desde que o plástico existe. Ao longo das décadas, à medida que a produção cresceu exponencialmente, nunca conseguimos reutilizar nem um décimo dos nossos resíduos plásticos. Desde que a EPA começou a catalogar a reciclagem de plásticos em 1994, quando os Estados Unidos reciclavam menos de 5% a taxa chegou a apenas 9,5% em 2014. Embora não haja nenhum dado anterior a 1994, a taxa certamente era ainda mais baixa na época. Consumidores descuidados podem ser os culpados por uma parte desta falha, mas muito dos resíduos que de fato são postos em latas e sacos de lixo reciclável também começaram a ser aterrados e queimados porque não havia um mercado para eles.

Grande parte do resíduo de plástico “reciclado” que os EUA enviaram para a China parece ter sido queimado ou enterrado em vez de ser transformado em novos produtos.

O problema do plástico tem crescido exponencialmente por décadas. Em 1967, quando o personagem de Dustin Hoffman estava sendo aconselhado a investir em plásticos em “A Primeira Noite de um Homem”, menos de 25 milhões de toneladas eram produzidas por ano. Mesmo naquela época, as empresas que fabricavam plástico já sabiam do crescente problema da coleção de resíduos. No entanto, em 1980, a produção havia dobrado. Dez anos depois, dobrou novamente para 100 milhões de toneladas, superando a quantidade de aço produzida globalmente. Hoje, a indústria de plásticos, estimada em mais de 4 trilhões de dólares, gera mais de 300 milhões de toneladas de plástico por ano, de acordo com os registros mais recentes – quase a metade é para itens de uso único, o que significa que se tornará lixo quase que instantaneamente.

Com a instituição da nova política da China em janeiro de 2018, a extensão da crise dos resíduos plásticos tornou-se dramaticamente mais visível. Em todo o mundo, fardos de plástico usado que apenas um ano antes teriam sido destinados à China começaram a se acumular. Nos EUA, algumas cidades pararam completamente seus programas de reciclagemde plásticos.

Sem boas alternativas, os Estados Unidos estão agora queimando seis vezes a quantidade de plástico que estão reciclando – ainda que o processo de incineração libere poluentes causadores de câncer no ar e crie cinzas tóxicas, que também precisam ser descartadas em algum lugar. E as pessoas pobres estão presas às piores conseqüências da crise dos plásticos. Oito em cada 10 incineradores nos EUA estão em comunidades que são mais pobres ou têm menos pessoas brancas do que o resto do país, e moradores que vivem perto deles estão expostos à poluição tóxica do ar que sua combustão produz.

Globalmente, também, o problema está sendo despejado nos menos afortunados e menos poderosos. Como os Estados Unidos não podem mais enviar seus resíduos plásticos para a China, grande parte desse lixo está indo para a Turquia, Senegal e outros países que não estão bem equipados para lidar com isso. Em maio, o mês mais recente para o qual há dadosdisponíveis, os EUA enviaram 64,9 milhões de quilos de sucata para 58 países. Tailândia, Índia e Indonésia – onde mais de 80% dos resíduos são mal administrados, de acordo com dados publicados na Science – estão entre os países que agora estão cercados de plástico proveniente dos EUA que está sendo despejado e queimado ilegalmente.

Todo o plástico nos mares

As terríveis notícias sobre o plástico parecem ser tão inescapáveis quanto o próprio plástico, cujos pedaços minúsculos agora estão em quase toda parte. Um estudo descobriu esses “microplásticos” no ar da montanha dos Pirineus, a mais de 160 quilômetros de distância da cidade mais próxima. Outro descobriu que os microplásticos estão sendo transformados em lodo de esgoto e espalhados em campos que cultivam alimentos. E, como sabemos pelas baleias cheias de plástico que regularmente voltam à superfície mortas, os oceanos estão repletos de resíduos de plástico e agora contêm cerca de 150 milhões de toneladas do material – uma massa que em breve ultrapassaria o peso de todos os peixes nos mares.

Nós humanos também temos plástico alojado em nossos corpos. A substância frequentemente vendida para nós como proteção contra contaminação está tanto na comida quanto na água. A água engarrafada, cujas vendas estão aumentando em parte porque as pessoas vêm buscando alternativas para o abastecimento de água contaminado, agora também contém plástico. Um estudo de 2018 descobriu que 93% das amostras de água engarrafada continham microplásticos. Enquanto todas as grandes marcas testaram positivo para microplásticos, o pior foi a Nestlé Pure Life, que afirma que sua água “passa por um processo de qualidade de 12 etapas, para que você possa confiar em cada gota”.

Vale ressaltar que, tanto em 2017 quanto em 2018, a Nestlé classificou-se entre as três principais marcas cujo lixo plástico foi mais frequentemente coletado nos esforços globais de limpeza realizados pelo grupo ambiental Break Free From Plastic.

A confluência de notícias terríveis levou a indignação pública em relação ao plástico a um outro nível. Uma vez considerado principalmente como algo desagradável ou incômodo, os resíduos plásticos agora são amplamente compreendidos como sendo uma das causas de extinção de espéciesdestruição ecológica e problemas na saúde humana. E, como mais de 99% do plástico é derivado de petróleo, gás natural e carvão – e sua destruição também usa combustíveis fósseis – grupos ambientalistas agora reconhecem o plástico como um dos principais causadores das mudanças climáticas. O naturalista David Attenborough comparou a mudança na opinião pública sobre os plásticos ao processo pelo qual o público chegou a um consenso sobre os danos da escravidão.

Uma vez considerado principalmente como algo desagradável ou incômodo, os resíduos plásticos agora são amplamente compreendidos como sendo uma das causas de extinção de espécies, devastação ecológica e problemas na saúde humana.

Entre a extração, o refino e o gerenciamento de resíduos, a produção e a incineração de plásticos adicionará mais de 850 milhões de toneladas de gases de efeito estufa à atmosfera somente este ano – um montante igual às emissões de usinas a carvão de 189.500 megawatts, segundo um relatório do Center for International Environmental Law.

Os plásticos reciclados – antes vistos como um sinal de virtude ambiental – são cada vez mais reconhecidos como ameaças à nossa saúde. Os plásticos contêm aditivos que determinam suas propriedades, incluindo estabilidade, cor e flexibilidade. A maioria dos milhares desses produtos químicos não é regulada, mas é claro que alguns desses aditivos, que acabam em plásticos reciclados, são perigosos. Um estudo descobriu que metade dos plásticos reciclados na Índia continha um retardador de chama associado a danos neurológicos, reprodutivos e de desenvolvimento.

O plástico preto, usado em tudo, de brinquedos infantis a utensílios de cozinha, embalagens de alimentos, estojos de celulares e garrafas térmicas, parece ser particularmente perigoso. O plástico é muitas vezes proveniente de eletrônicos reciclados que contêm ftalatos, retardadores de chama e metais pesados, como cádmio, chumbo e mercúrio. Mesmo em níveis muito baixos, estes produtos químicos podem causar problemas reprodutivos e de desenvolvimento.

Mas a maioria dos aditivos não são rastreados ou bem estudados. “A indústria não tem ideia do que está colocando no plástico e de quem está colocando essas coisas”, disse Andrew Turner, um químico britânico que recentemente encontrou produtos químicos tóxicos em 40% dos brinquedos de plástico preto, garrafas térmicas, misturadores de coquetele utensílios testados. Em alguns plásticos, ele encontrou os produtos químicos presentes em 30 vezes os padrões de segurança estabelecidos pelos governos.

Mesmo os produtos químicos que são regulamentados geralmente têm limites definidos para eletrônicos, mas não para produtos reciclados. “Você tem algo que não seria compatível com os regulamentos como um item elétrico, porque seus níveis são muito altos, mas como se transformou em um garfo, não há nada que impeça que ele seja usado”, disse Turner. Antimônio, que Turner encontrou em recipientes de comida, brinquedos e material de escritório, “é restrito em água potável, mas não em lixo elétrico.” Turner e Zhanyun Wang, outro cientista com quem falei que estuda aditivos químicos em plásticos, me disseram que não usam mais utensílios de plástico preto. “Dada a opção, eu prefiro algo branco ou claro”, disse Turner, acrescentando que ele tenta evitar utensílios feitos de qualquer tipo de plástico.

A solução para essa confusão global claramente tem que ser muito maior do que as escolhas pessoais de cutelaria. Entre as organizações que pedem que superemos a ideia de reciclagem e exijamos que as empresas limitem a produção de plásticos estão o Greenpeace, a Surfrider FoundationAs You Sow, a Rainforest Alliance e a 5Gyres, uma organização iniciada por um casal que atravessou o Oceano Pacífico em uma jangada feita de garrafas descartadas. Alimentado por um aumento na frustração dos consumidores com produtos que os tornam cúmplices do problema, restaurantes e supermercados livres de plástico estão surgindo.

Impostos, proibições e taxas sobre produtos de plástico estão se espalhando pelo mundo. Em março, a União Europeia votou pela proibição de plásticos de uso único até 2021. Em junho, o Canadá fez o mesmo, com o primeiro-ministro Justin Trudeau prometendo não apenas proibir os plásticos de uso único, como sacos, canudos e talheres, mas também responsabilizar os fabricantes de plásticos por seus resíduos. Cento e quarenta e um países, incluindo a China, Bangladesh, Índia e 34 países africanos, implementaram impostos ou proibições parciais de plásticos.

Nos Estados Unidos, o governo Trump trabalhou contra os esforços internacionais para reduzir os resíduos de plástico, e as cidades e comunidades locais estão puxando a frente. Enquanto apenas oito estados decretaram restrições ao uso de plásticos, mais de 330 leis locais de sacolas plásticas foram aprovadas em 24 estados. Alguns legisladores federais também reconheceram que a ação federal é necessária para conter a crescente onda de plástico. “A reciclagem de plásticos não é uma solução realista para a crise da poluição plástica. A maioria dos plásticos de consumo é economicamente inviável de reciclar apenas com base nas condições do mercado “, escreveram em uma carta ao presidente Donald Trump em junho, o deputado Alan Lowenthal e o senador Tom Udall, observando que a” disseminação de produtos plásticos de uso único levou à extensa poluição por plásticos nos EUA e causou um crescente ônus financeiro às agências reguladoras estaduais, governos locais e contribuintes, para custear a remediação.”

A indústria do plástico contra-ataca

Até mesmo os executivos de uma recente conferência da indústria do plástico admitem como a crise é ruim – pelo menos entre eles. Tudo o que ouvimos é “você precisa se livrar dos plásticos”, disse Garry Kohl, da PepsiCo, a seus colegas da Associação da Indústria de Plásticos, em uma conferência em abril. Reunidos no dourado salão de festas de um hotel em Dallas, os representantes de grandes fabricantes de plásticos, recicladores, fornecedores de matérias-primas, extrusoras, donos de marcas e outros no setor de plásticos levantaram a voz sobre seu papel na crise. Especialmente difícil, disse Kohl, que dirige a inovação em embalagens dos salgadinhos e alimentos da PepsiCo, foi a imagem amplamente divulgada de um albatroz morto, cheio de plástico dentro do seu corpo. “Isso é muito comovente para nossos superiores”, disse Kohl, enquanto a imagem agora icônica do albatroz – na verdade, apenas algumas penas e um bico em decomposição organizado em torno de uma variedade de tampas de garrafas, partes mais leves e pedaços de plástico – aparecia acima dele. “Todos eles estão falando sobre o albatroz.”

Patty Long, presidente interina e diretora executiva da Associação da Indústria de Plásticos, o grupo que convocou a reunião no Texas, também reconheceu a dor de ser a face pública de uma indústria responsabilizada pela devastação da natureza. Long admitiu que ela sofreu com outro fenômeno de mídia social que, junto com o albatroz, mudou o curso da guerra sobre os plásticos: o vídeo da tartaruga marinha com um canudo plástico preso em sua narina. Long não é a única. Desde que foi postado em 2015, excruciantes oito minutos em que os biólogos marinhos puxam o canudo plástico com alicates enquanto a criatura se contorce e sangra, o vídeo foi visualizado 36 milhões de vezes.

No fim das contas, Long admitiu, foi um ano difícil, no qual foram apresentados cerca de 376 projetos de lei anti-plásticos, e a opinião pública sobre a indústria de plásticos continuou a “piorar exponencialmente”. A Associação da Indústria de Plásticos está levando sua imagem negativa a sério, trabalhando para compensar isso com apresentações de produtos plásticos para alunos do ensino fundamental e médio, um programa de embaixadores plásticos e, para que os jovens possam “se sentir bem” trabalhando na indústria, disse Long, formou ainda um grupo de “futuros líderes em plásticos”.

Mas apesar do desconforto sobre o albatroz morto, a tartaruga sangrando e a imagem pública da indústria, as empresas que fazem bilhões de plásticos não têm intenção de desacelerar. Em vez disso, a indústria está se preparando para a luta de sua vida, o que explica porque um especialista em conflitos armados deu a palestra de abertura na conferência de plásticos.

A indústria está se preparando para a luta de sua vida, o que explica porque um especialista em conflitos armados deu a palestra de abertura na conferência de plásticos.

Em 2000, o Comandante Kirk Lippold da Marinha dos EUA guiou sua tripulação durante um ataque terrorista ao USS Cole, no qual 17 marinheiros foram mortos e 39 ficaram feridos. Hoje consultor de gerenciamento de crises, Lippold contou à platéia da Associação da Indústria de Plásticos uma história extenuante de vítimas em massa, experiências de quase morte e uma embarcação cheia de estilhaços fazendo água. Sua história, que terminou com Lippold pilotando seu navio estropiado de volta a mar aberto e com o hino nacional a todo volume, sugeriu que, com determinação feroz o suficiente, os executivos de plásticos também poderiam ser capazes de ultrapassar as ameaças que enfrentam.

O que está em jogo para eles não é apenas o atual mercado de plásticos que vale centenas de bilhões de dólares por ano, mas sua provável expansão. A queda dos preços do petróleo e do gás significa que o custo de fabricar plástico novo, já muito baixo, será menor ainda. A queda de preço levou a mais de 700 projetos da indústria de plásticos agora em progresso, incluindo expansões de usinas antigas e a construção de novas da Chevron, Shell, Dow, Exxon, Formosa Plastics, Nova Chemicals e Bayport Polymers, entre outras empresas, de acordo com uma apresentação do diretor de assuntos regulatórios da BASF Corporation na conferência da indústria de plásticos.

A crescente produção de novos plásticos baratos enfraquece ainda mais o argumento da indústria de que a reciclagem pode resolver a crise dos resíduos. Já é impossível para a maioria dos plásticos reciclados competir com plástico “virgem” no mercado. Com exceção das garrafas feitas de PET (No. 1) e HDPE (No. 2), o resto dos resíduos é essencialmente sem valor. Cerca de 30% dos dois tipos de garrafas de plástico foram vendidos para reciclagem em 2017, embora alguns deles possam ter sido depositados em aterro ou incinerados. O recente boom de combustíveis fósseis torna ainda mais barato fabricar plásticos novos e, portanto, é ainda mais difícil vender o produto reciclado. Isso, por sua vez, torna o esforço das empresas de plásticos pela reciclagem ainda mais implausível – e torna ainda mais desesperadora a sua batalha para eliminar os esforços por limitar a produção de plásticos.

Proibindo as proibições ao plástico

Matt Seaholm, diretor executivo da American Progressive Bag Alliance, pareceu apreciar sua participação na luta. Enquanto outros participantes da conferência da indústria do plástico tendiam a lamentar excessivamente e reconhecer em algum nível o problema do plástico, Seaholm mostrou-se sem remorsos em seu antagonismo com grupos ambientalistas que têm chamado a atenção para a questão. No Texas, Seaholm, o ex-diretor nacional dos Americans for Prosperity, liderado pelos irmãos Koch, posicionou-se como inimigo dos ambientalistas.

“Eles odeiam o que estamos fazendo”, Seaholm disse a seus colegas da indústria de plásticos na conferência, com um sorriso provocador. “Nós usamos isso como uma prova de valor”. O fato de grupos ambientalistas se oporem às táticas da APBA, acrescentou Seaholm, é evidência de que seu grupo de lobby “deve estar fazendo algo certo”.

A APBA começou a pressionar contra as restrições de plásticos em todo o país em 2011. Por volta de 2015, o grupo da indústria levou suas táticas a outro nível. Em vez de apenas se opor às proibições individuais, a APBA começou a fazer lobby por leis preventivas. A abordagem, que outro grupo afiliado aos irmãos Koch, o American Legislative Exchange Council, o ALEC, usou para combater a ação local em outras questões, incluindo restrições a pesticidas e leis salariais, impediu que cidades e cidades aprovassem proibições locais ao plástico. Nos últimos oito anos, o Conselho Americano de Química ajudou a aprovar, em 13 estados, projetos preventivos baseados no modelo da ALEC. De acordo com Seaholm, que se juntou ao grupo em 2016, 42% dos norte-americanos vivem em estados onde não se consegue aprovar proibições locais aos plásticos.

Outros grupos de lobby da indústria de plásticos, incluindo o American City County Exchange da ALEC e a National Federation of Independent Business, também defenderam a preempção, ou “uniformidade” como eles chamam, sob a alegação de que as proibições prejudicam empresas que usam plástico. Embora apresentem proibições como sendo ruins tanto para as empresas quanto para as pessoas de baixa renda, que eles afirmam ser afetadas de maneira desproporcional, a indústria também usou doações de campanha para defender sua posição. No ano passado, a Flexible Packaging Association, cujos membros incluem a Dow, a Exxon Mobil Chemical, a SABIC, a Chevron Phillips Chemical e a LyondellBasell, mais que dobraram seus gastos em todo o país. O grupo elevou significativamente suas doações para os legisladores do Tennessee, por exemplo, no ano que antecedeu a aprovação do projeto de lei sobre o uso de sacolas plásticas naquele estado.

Embora a APBA esteja lutando arduamente para impulsionar a invalidação do projeto de lei contra os plásticos, os gastos nacionais do grupo não são claros, pois, como uma entidade de propriedade integral da Associação da Indústria de Plásticos, não há exigência federal para tornar seus gastos públicos. Mas as divulgações de lobby do estado mostram que gastou milhões lutando contra as proibições de sacolas plásticas. Essa defesa das proibições de plásticos coloca os membros da Plastics Industry Association, incluindo PepsiCo, Walmart e o Carlyle Group, em uma situação desconfortável. Todas essas marcas fizeram promessas públicas de sustentabilidade que parecem estar em desacordo com as lutas do grupo contra as leis locais que limitam o plástico.

Questionada sobre a aparente dissonância entre seu compromisso de sustentabilidade e a participação na Associação da Indústria de Plásticos, a Walmart forneceu uma declaração por e-mail dizendo que “a aspiração da Walmart é conseguir zero desperdício de plástico. Estamos tomando ações em nossos negócios para usar menos plástico, reciclar mais e apoiar inovações para melhorar os sistemas de redução de resíduos plásticos.” O comunicado também dizia que a Walmart “pediu aos nossos fornecedores para reduzir a utilização de embalagens plásticas desnecessárias, aumentar a reciclabilidade das embalagens, aumentar o conteúdo reciclado e nos ajudar a educar os clientes sobre redução, reutilização e reciclagem de plástico.”

A PepsiCo e o Carlyle Group não responderam aos pedidos de comentários.

Seaholm parecia não se importar com a terrível imagem da luta do setor contra os esforços para proteger o meio ambiente com proibições plásticas, que ele ridicularizou como “impulsionadas principalmente pela emoção”. “Eles estão fazendo isso porque parece bom”, disse Seaholm aos executivos do plástico em Dallas. “Eles podem se cumprimentar uns aos outros.”

A indústria de plásticos contra Duas meninas

Em Isle of Palms, na Carolina do Sul, as pessoas que lideraram a primeira proibição de sacolas plásticas do estado em 2015 não discordariam de que seu esforço foi motivado pela emoção. Suzette Head e Mila Kosmos, que moram na pequena cidade litorânea perto de Charleston, gritaram de alegria quando sua regulamentação local passou. “Eu fiquei feliz que as sacolas iriam desaparecer”, recordou Mila, agora com nove anos.

O esforço começou com outra emoção, quando as duas meninas estavam no jardim de infância: tristeza. Suzette estava em seu aquário local quando um naturalista segurou um frasco com um espiral cinzento dentro e perguntou o que as crianças achavam que era. Suzette pensou que era uma água-viva e disse isso. Quando soube que era, na verdade, uma sacola plástica e que uma tartaruga poderia morrer se cometesse o mesmo erro e comece a sacola, a menina ficou perturbada.

“Suzette ama animais”, explicou sua mãe, Kathy Kent. Em sua caminhada para casa do aquário após a demonstração, as duas começaram a falar sobre como impedir que as pessoas joguem fora as sacolas plásticas. “No começo eu disse a ela: Bem, você simplesmente não pode mudar as pessoas”, disse Kent. “Mas então eu me escutei e pensei, ‘meu Deus, o que estou dizendo’ e rapidamente voltei atrás.” Sem ter ideia do que exatamente estava prometendo, Kent disse à filha que elas fariam algo para evitar que as sacolas plásticas acabassem no oceano. Logo depois, elas se juntaram a Mila e sua mãe e vários outros moradores de Isle of Palms que também estavam chateados com o uso de plástico. Elas andavam pela praia à tarde pegando sacolas e trocando ideias. Com o tempo,decidiram redigir uma petição para banir as sacolas e caminharam de porta em porta para obter o apoio de vários donos de lojas locais.

“Foi fácil pedir às empresas para nos apoiar”, disse Kent. “Todo mundo sabe que ter uma praia limpa e livre de lixo é bom para todos e para todos os negócios.” Pouco mais de um ano depois da desagradável visita de Suzette ao aquário, a lei foi aprovada pelo conselho municipal em sua primeira votação. No entanto, quase quatro anos depois, a Carolina do Sul está considerando uma legislação apoiada pela APBA que não apenas proibiria futuras proibições de sacolas, mas também desfará a lei em Isle of Palms e outras 17 leis locais que restringiram o plástico na Carolina do Sul.

O índio que chora

Se a imagem de corporações multinacionais gigantescas destruindo os esforços de meninas para proteger criaturas marinhas é menos que lisonjeira, a indústria de plásticos pode se consolar com o fato de ter derrotado com sucesso as tentativas dos ambientalistas de responsabilizar as empresas pela poluição plástica utilizando táticas similares. O truque tem sido abraçar publicamente a preocupação de seus oponentes pelo meio ambiente, enquanto combate em privado as tentativas de regulamentação.

A estratégia de dois gumes data de pelo menos 1969, quando um editorial da revista Modern Plastics alertou sobre a iminente crise dos resíduos. Os grandes fabricantes de plásticos já estavam cientes do problema. Naquele ano, a DuPont, a Chevron, a Dow e a Sociedade pela Indústria de Plásticos estavam entre os grupos representados em uma conferência sobre resíduos de embalagens. E, quando o primeiro Dia da Terra foi lançado em 1970, em parte para enfrentar essa crise, a indústria estava pronta.

Naquela semana, os manifestantes realizaram uma “jornada ecológica” na qual despejaram suas garrafas não retornáveis na sede da Coca-Cola. Os ativistas tinham uma solução para a crescente crise dos resíduos: projetos de lei sobre garrafas que colocariam nos fabricantes o ônus de limpar o lixo. A Coca-Cola, que havia sido avisada sobre os protestos pela Associação Nacional de Refrigerantes, recebeu os manifestantes com refrigerante de graça e latas de lixo. As grandes empresas de bebidas e embalagens lutaram contra o projeto sobre as garrafas e criaram um truque inteligente que até hoje demonstra resultados. Eles não só apelidaram os defensores dos projetos sobre as garrafas de radicais, mas também lançaram uma massiva campanha de relações públicas que parecia incorporar parte da raiva sobre o lixo crescente que alimentou os protestos do Dia da Terra enquanto transferia a responsabilidade das empresas para os consumidores.

Os futuros Dias da Terra continuariam a enfatizar a responsabilidade pessoal dos consumidores em reciclar, incluindo a comemoração nacional do 10º Dia da Terra, em 1980, que foi organizado por Michael McCabe, um ex-assistente legislativo que viria a ser diretor de comunicações e projetos especiais de Joe Biden antes de liderar a defesa da DuPont sobre um perigoso produto químico utilizado em diversos plásticos, o PFOA. Em 1990, a celebração do 20º aniversário foi marcada por um especial de TV repleto de celebridades que enfatizava a importância das ações dos indivíduos, incluindo o plantio de árvores e a reciclagem, na proteção do meio ambiente.

Até hoje, o Keep America Beautiful – que ainda é liderado por executivos de empresas de bebidas e plásticos, incluindo Dr Pepper, Dow e o Conselho Americano de Química – continua focando sua propaganda naqueles que jogam lixo no chão, estimulando cidadãos errantes a descartarem melhor seus resíduos plásticos enquanto muitos de seus membros evitam a regulamentação de sua produção desses resíduos. Vários parceiros corporativos do grupo – incluindo as empresas fundadoras Coca-Cola e PepsiCo e seu grupo de comércio, a American Beverage Association – se opuseram aos projetos de lei sobre o uso de garrafas plásticas que ajudariam a resolver o problema dos resíduos plásticos.

Noah Ullman, diretor de marketing da Keep America Beautiful, contesta a ideia de que a organização foi fundada “como um artifício. A intenção não estava lá,” disse em entrevista por telefone. Em vez disso, Ullman escreveu em um email para o Intercept, “o primeiro objetivo da Keep America Beautiful era, e continua sendo, encorajar as pessoas a ‘colocar o lixo no lixo’. Prevenir que lixo seja jogado na rua é a base para todo o resto – ajuda a manter as comunidades bonitas (o que tem uma longa lista de benefícios sociais e econômicos) e ajuda a proteger os animais e nosso meio ambiente de resíduos sólidos que acabam em lugares não planejados.” Ullman disse que a organização não tem uma posição sobre os projetos de lei que lidam com o uso de garrafas plásticas, mas observou que, enquanto os projetos melhoram as taxas de coleta de materiais reembolsados, a “consequência não intencional é que desvaloriza o restante do fluxo de resíduos para reciclagem (por exemplo, vidro, caixas de papelão, etc.) e esses itens se tornam menos propensos a serem reciclados.”

A Associação Americana de Bebidas, que se opôs aos projetos de lei sobre o uso de garrafas plásticas no passado, forneceu ao Intercept uma declaração dizendo: “Não nos opomos a quaisquer ideias que possam nos levar a melhores taxas de reciclagem no futuro, se essas não prejudicarem os abrangentes sistemas de reciclagem que os consumidores preferem.”
Em e-mail, um representante da Coca-Cola escreveu que a Associação Americana de Bebidas representa a opinião da empresa sobre os projetos sobre o uso de garrafas. O e-mail também dizia que “na Coca-Cola, nosso foco é ajudar a coletar e reutilizar o equivalente a 100% das garrafas e latas que colocamos no mercado. Isso inclui garantir que todas as nossas embalagens sejam 100% recicláveis e que utilizemos pelo menos 50% de conteúdo reciclado em nossas embalagens até 2030.”

Com foco na reciclagem e no status de organização sem fins lucrativos, a Keep America Beautiful e outras organizações anti-lixo financiadas pela indústria de plásticos e bebidas, incluindo a Recycling Partnership, oferecem às empresas a oportunidade de demonstrar preocupação com poluição plástica e redução de impostos. A Fundação Coca-Cola doou 640 mil dólares para a Recycling Partnership para melhorar a reciclagem em 2017, por exemplo. A organização “trabalha com milhares de comunidades em todo o país para fornecer acesso à reciclagem e educação para ajudar os moradores a entender como reciclar materiais cada vez melhores, incluindo papel, alumínio e latas de aço, papelão, papelão, vidro e, sim, plásticos “, de acordo com uma declaração da organização enviada por email.

Enquanto trabalha para melhorar a reciclagem e criar mercados finais para o plástico reciclado, a Recycling Partnership também apresenta uma visão particularmente otimista sobre a reciclagem. Em maio, o grupo enviou um e-mail que anunciava que “87% das pessoas acham que a reciclagem é importante”, sem mencionar a realidade dos números de apenas um dígito de reciclagem. Os outros parceiros de financiamento do grupo incluem a ExxonMobil, a Keurig, a Dr. Pepper, a Dow, a Associação Internacional de Água Engarrafada, a Associação Americana de Bebidas e o Conselho Americano de Química.

“Eles estão tentando criar a percepção de que existe uma maneira viável de reciclar a maior parte dos resíduos plásticos em novos produtos, e isso simplesmente não é verdade.”

Em seu comunicado, a Recycling Partnership observou que apenas metade dos americanos que têm acesso a reciclagem conveniente fazem tudo o que podem. A declaração também dizia que o grupo está trabalhando para criar e apoiar os mercados finais de plástico reciclado.

Mas de acordo com Jan Dell, engenheiro que trabalhou como consultor de sustentabilidade corporativa antes de criar o The Last Beach Cleanup, uma organização que enfrenta poluição por plásticos, a Recycling Partnership e outras organizações sem fins lucrativos apoiadas pela indústria de plásticos estão usando informações enganosas para amenizar as preocupações que, de outra forma, levariam os consumidores a não mais comprarem plástico. “Eles estão tentando criar a percepção de que existe uma maneira viável de reciclar a maior parte dos resíduos plásticos em novos produtos, e isso simplesmente não é verdade.”

O golpe ‘reciclável’

Grande parte do lixo plástico acumulado nos oceanos, enterrado em aterros sanitários e espalhado pela natureza, é “reciclável”, o que equivale a dizer que ele poderia, em teoria, ser transformado em novos produtos. As empresas aderiram ao termo esperançoso para tornar seus mais recentes produtos de plástico mais aceitáveis. A Starbucks, por exemplo, elogiou a si mesma por sua “tampa reciclável”, lançada em seis cidades neste verão, que a empresa previu que eliminaria o uso de um bilhão de canudos. Mas como as tampas são feitas de polipropileno (também conhecido como plástico nº 5) e há muito pouco mercado para o polipropileno reciclado, esse número não tem base na realidade. Apenas 5% do polipropileno foi reciclado em 2015 – e isso foi antes de a China decidir parar de receber o lixo. Desde então, a porcentagem reciclada é provavelmente muito menor ainda, o que significa que a grande maioria das 1 bilhão de novas tampas Starbucks “recicláveis” terminará no mesmo lugar que as antigas – em aterros sanitários, montes de lixo, incineradores e oceanos.

Em janeiro, a Taco Bell também se gabou de suas próprias tampas de plástico, como se criar mais plástico pudesse de alguma forma resolver a crise dos plásticos. “Ama a Terra? Sim, nós também”, anunciou o site da empresa, “e é por isso que recentemente começamos a usar copos e tampas recicláveis em todos os nossos restaurantes”.

Outra empresa, a Tempo Plastics, anuncia explicitamente suas bolsas de plástico como “livres de culpa”. Embora sejam feitas de polietileno de alta densidade ou de plástico nº 2 – apenas 5,5% delas são recicladas nos Estados Unidos – o novo “Harmony Pack” contará com setas verdes reconfortantes e a aprovação do How2Recycle.

Um projeto da Sustainable Packaging Coalition e da organização sem fins lucrativos chamada GreenBlue – cuja diretoria inclui executivos da Dow Chemical, Mars, Target, Amazon e Delfort Group – How2Recycle faz com que alguns produtos plásticos pareçam muito mais fáceis de reciclar do que são. O Guia Verde da Comissão Federal do Comércio (FTC, na sigla em inglês) deixa claro que “deturpar, direta ou implicitamente, que um produto ou pacote é reciclável” é enganoso. Para fazer afirmações não qualificadas de que um produto é reciclável, as instalações de reciclagem devem estar disponíveis para pelo menos 60% dos consumidores a quem este é vendido. Mas o símbolo How2Recycle está agora afixado em vários produtos que serão quase impossíveis para muitos consumidores reciclarem, incluindo copos, pratos e recipientes feitos de plásticos nºs 3 a 7, todos agora com taxas de reciclagem próximas de zero.

Quando perguntada sobre a bolsa “livre de culpa”, Kelly Cramer, diretora do How2Recycle da GreenBlue, escreveu em e-mail que o produto não estava “qualificado apropriadamente” para o selo e disse que a organização “procuraria essa empresa imediatamente para corrigir”. Em relação às fotos de copos e placas de plástico que não são aceitas pelos recicladores na maior parte do país, mas cuja embalagem tinha o rótulo How2Recycle, Cramer disse que o rótulo se referia aos sacos que continham os copos e as placas, que é reciclável se trouxe de volta a um programa de reciclagem na loja, mas reconheceu que as placas e copos dentro deles não eram recicláveis.

Embora a How2Recycle forneça rótulos “não recicláveis” e “recicláveis”, é a escolha das empresas-membro aplicá-las, disse ela. “Aquele membro optou por não rotular o produto”, disse Cramer. “Esta é uma área onde nós damos ao membro a escolha de rotular o produto ou não. Se fôssemos muito rigorosos em nossos requisitos, não teríamos tantos membros no programa.”

Cramer argumentou que outro produto, copos de polipropileno ou plástico nº5, podem ou não se qualificar como recicláveis – uma questão que agora está sendo julgada em um tribunal federal na Califórnia. Cramer disse que a GreenBlue está realizando pesquisas sobre as taxas de reciclagem de polipropileno e defendeu o programa How2Recycle como uma maneira de minimizar o desperdício que é um fato da vida moderna.

“Não queremos que as pessoas pensem que a reciclagem alivia toda a sua culpa pelo consumo. Mas a verdade é que todos nós consumimos e a embalagem protege os produtos que precisam ser movidos para serem vendidos “, disse ela. “No futuro, seria bonito se tivéssemos reutilização robusta ou novos sistemas de entrega para repensar todo o sistema de embalagem do produto. Mas ainda não estamos lá.”

Embora a reciclagem faça pouco para aliviar a crise dos plásticos de suporte, a promoção da mesma provou ser extremamente útil para a indústria quando propostas proibições locais foram proibidas. O American Chemistry Council recentemente lançou campanhas locais para o WRAP, ou o Wrap Recycling Action Program, em vários lugares onde proibições de plástico foram propostas.

A parceria público-privada dirigida pelo ACC, que incentiva a reciclagem de sacos de plástico através de 18 mil locais de coleção de película plástica em todo o país e promove a ideia de que os sacos plásticos podem ser reciclados, lançou uma nova iniciativa em Connecticut em 2017 que coincidiu com a consideração por parte do estado de um imposto sobre sacolas plásticas. Quando Chicago considerou uma taxa sobre sacolas plásticas em 2016, a ACC também divulgou o WRAP lá, anunciando que os moradores locais podem reciclar sacolas plásticas “em quase 400 supermercados e lojas locais”. Este ano, na Flórida, a ACC criou outra iniciativa local da WRAP assim que um projeto de lei estadual para banir canudos de plástico foi apresentado.

O grupo ensina ao público como reciclar películas de plástico – qualquer plástico com menos de 10 mm de espessura – um processo que se torna complicado o suficiente para exigir sua própria organização educacional. A maioria dos programas municipais de reciclagem não aceita sacolas de compras e outros plásticos flexíveis, que podem enroscar nas máquinas. Então o WRAP orienta os consumidores a trazê-las para centros locais de devolução, que coletam as películas de plástico e mandam aos recicladores. O plástico primeiro tem que ser lavado e seco, de acordo com o WRAP, e mesmo assim apenas alguns deles podem ser reciclados. O programa pode reciclar o envoltório claro que se utiliza para conservar alimentos em casa, bem como sacos que contenham a maioria dos produtos, mantimentos e pães, mas não embalagens de doces e sacos plásticos que contenham chips ou comida congelada.

Mas, mesmo que o WRAP promova a mensagem de que as películas de plástico possam e devam ser recicladas e repreenda as pessoas que não colocam sacolas plásticas em latas de lixo, muitos dos sacos usados e outros resíduos plásticos são queimados ou enviados para aterros sanitários. De acordo com o mais recente relatório sobre reciclagem de plásticos filme publicado em julho pelo ACC, a quantidade coletada nos EUA e vendida para reciclagem caiu de cerca de 590 mil toneladas para pouco mais de 450 mil toneladas entre 2016 e 2017 – e isso antes da restrição da China às importações de plástico ter sido totalmente implementada. O relatório da ACC admitiu que algumas das sacolas acabaram onde acabaram se antes não fizessem uma breve parada em uma lata de lixo reciclável. “Devido à falta de compradores – pela qualidade e quantidade de material disponível – no final de 2017, o material de aterro começou a ser mais econômico (apesar do desvio ou outros objetivos ambientais) do que cobrir os custos de manuseio e transporte de material para o mercado.”

Não está claro o que aconteceu com as 136 mil toneladas de películas de plástico que foram vendidas para reciclagem em 2016, mas não em 2017. Como o ACC não relata a quantidade total de películas de plástico coletadas, a proporção coletada destas também é algo obscuro. Tampouco está claro por que o ACC ainda não informou os números de 2018. Mas, mesmo dentro das 450 mil toneladas de películas de plástico que o ACC categorizou como “recicladas”, grande parte provavelmente é queimada ou aterrada. De acordo com o relatório, 171 mil toneladas de películas de plástico foram exportadas, e o ACC afirmou, em declaração por email ao Intercept, que não sabe o que aconteceu com o lixo depois desse ponto.

Embora o ACC não coloque um número exato na quantidade total de sacos que foram queimados ou aterrados, uma recente chamada à ação de um grupo de recicladores de plásticos chamado Recycle More Bags o faz. O documento, que saiu em maio e cobrou por uma legislação que exigiria que os sacos plásticos contenham material reciclado, observou que mais de “600 milhões de libras (cerca de 272 mil toneladas) de sacolas plásticas coletadas para reciclagem na América do Norte em 2018 foram aterradas ou incineradas devido à falta de mercado”. Uma versão posterior do documento mudou o valor para “centenas de milhões de libras”.

“Com base nos dois relatórios da indústria, parece que podemos ter incinerado e descartado a mesma quantidade de películas de plástico e sacolas que foram reprocessados”, disse Dell.

Reciclar ou queimar?

Uma das últimas soluções que a indústria oferece à crise do plástico não é exatamente a reciclagem. Embora ainda haja muitas questões sobre o que, de fato, é o programa Hefty EnergyBag, ele está deixando claro quão caro e difícil é encontrar um uso para os resíduos plásticos.

Em abril, 49 anos depois de um grupo de manifestantes inaugurarem o Dia da Terra jogando materiais descartáveis na sede da Coca-Cola, a Dow Chemical foi um “patrocinador floresta verde” no Dia da Terra da cidade de Omaha, mesmo sendo a maior produtora de plásticos no mundo. Com uma doação de 5 mil dólares, o programa Hefty EnergyBag da Dow, uma parceria da Dow com a Reynolds Consumer Products, foi um dos dois maiores doadores do evento. Realizado no exuberante Parque Elmwood de Omaha, as festividades do dia foram tão verdes e saudáveis quanto qualquer patrocinador poderia querer. Músicas folclóricas de nativos americanos eram tocadas enquanto a população local passeava pelo gramado, de mesa em mesa, aprendendo sobre apicultura urbana, reutilização da água da chuva, micro galinhas, e plantio de árvores. Crianças acariciavam um coelhinho cinza. E dezenas de moradores do Nebraska, preocupados com o ambiente, participavam em uma aula de yoga ao ar livre, dobrando o corpo e se alongando ao sol, junto com seus vizinhos.

A Dow e a Hefty iniciaram o programa no Dia da Terra de 2016 como uma forma para os moradores de Omaha descartarem talheres plásticos, embalagens de salgadinhos e outros plásticos de uso único que a cidade não era capaz de processar. Tudo o que eles precisavam fazer era colocar o lixo em sacolas Hefty especiais, na cor laranja, deixá-las na esquina, e a cidade recolheria e reciclaria o plástico. “Eles estavam, definitivamente, chamando aquilo de reciclagem”, recorda Richard Yoder, um consultor de sustentabilidade local. Mas Yoder e outros moradores de Omaha logo souberam que, em vez de serem derretidos e transformados em plástico reutilizável, os conteúdos de suas sacolas estavam sendo queimados em um incinerador no estado do Missouri, que tinha um histórico de violações à Lei do Ar Limpo.

No ano passado, após Yoder afirmar em um debate que chamar o programa EnergyBag de reciclagem era enganoso, a Hefty parou de usar o termo. Ainda assim, com uma linguagem difícil, o site da empresa ainda vende o programa como algo bom para o ambiente, ou “uma iniciativa revolucionária que coleta plásticos difíceis de reciclar”. O programa Hefty EnergyBag “complementa os programas de reciclagem existentes”, de acordo com Ashley Mendoza, um porta-voz da Dow. “Nossa visão de longo prazo é manter cada vez mais plásticos fora dos aterros sanitários, coletando-os para reciclagem ou recuperação, se eles não puderem ser reutilizados”.

Após a Aliança Global por Alternativas a Incineradores revelar que o programa de Omaha de criava mais poluição, a iniciativa da Dow e da Hefty também parou de mandar as sacolas laranjas ao incinerador. Desde então, os rejeitos plásticos têm sido utilizados para diferentes propósitos, incluindo a compressão em pilares de cercas e dormentes para trilhos de trem e indo “para uma empresa canadense que fazia um tipo de deck”, segundo Dale Gubbels, CEO da FirstStar Recycling, empresa de Omaha parceira da Dow e Hefty no projeto.

Como ninguém sabe remover aditivos do plástico, produtos feitos de rejeitos reciclados podem liberar produtos químicos tóxicos conforme se degradam.

Embora a Dow e a Hefty promovam o programa como uma forma de converter plástico em “fontes valiosas de energia”, isso não é barato, de acordo com Gubbels. O custo parece ter desapontado alguns dos primeiros defensores do programa, que esperavam que ele se pagasse sozinho. “Eu tenho que convencê-los que, se você quer reciclar, é preciso reconhecer que você tem que pagar por isso”, diz. No fim das contas, acrescenta Gubbels, o programa vendido como uma solução energeticamente eficiente para os rejeitos plásticos acabou se provando “muito mais desafiador do que qualquer um havia imaginado quando tudo começou”. Segundo um email de Mendoza, “o preço das sacolas laranjas Hefty® EnergyBag® cobre o custo do programa”.

Cientistas destacam outro obstáculo no plano das sacolas de energia: como ninguém sabe remover aditivos do plástico, produtos feitos de rejeitos reciclados, como dormentes, cercas e decks feitos com o plástico de Omaha, podem liberar produtos químicos tóxicos conforme se degradam. “Até que nós façamos um trabalho melhor para eliminar os perigos no primeiro uso, haverá problemas para administrar a toxicidade nos usos seguintes”, diz Pete Myers, biólogo, fundador e cientista-chefe da Environmental Health Sciences. “Alguns tipos de plásticos que eles propõem reciclar contêm produtos químicos relacionados a um declínio de 50 anos na contagem de espermatozoides, ao desenvolvimento de diabetes tipo 2, e câncer de mama e próstata. Esses são problemas sérios e nós não sabemos o suficiente a respeito do nível de exposição para garantir a segurança da criança que se senta em um deck desses”.

Questionado sobre essa possibilidade, Gubbels disse que não a havia considerado, e não era perito em produtos químicos tóxicos. De qualquer forma, Gubbels vem espalhando os rejeitos plásticos de Omaha pelos EUA. Ele mandou uma carga recente para Renewlogy, uma usina em Salt Lake City, no estado de Utah, que aquece o plástico e extrai energia dele, e diz planejar mandar uma carga a uma planta semelhante no Texas, chamada New Hope Energy.

O mito da ‘reciclagem química’

Renewlogy e New Hope são duas das empresas que oferecem o que a indústria do plástico tem anunciado como a mais nova solução aos resíduos plásticos: a chamada reciclagem química. De acordo com o Conselho Americano de Química, expandir a recuperação de plásticos a esse âmbito poderia “resultar em bilhões de dólares para a economia”. Ainda assim, até mesmo os maiores defensores da tecnologia reconhecem que ninguém ainda sabe como converter, de maneira eficiente e econômica, o plástico em suas várias partes constituintes e, depois, em combustível. Se todos os plásticos não reciclados dos Estados Unidos fossem convertidos em petróleo, “poderíamos criar combustível suficiente para abastecer 9 milhões de automóveis por ano”, disse o diretor de sustentabilidade da Chevron Phillips, Rick Wagner, em um artigo recente na revista Plastics Recycling Update. Essa transformação também permitiria que a Chevron, a segunda maior produtora de plástico no mundo, desse de ombros diante de sua responsabilidade pelas enormes quantidades de poluição que agora afogam o mundo. Mas mesmo Wagner admite que ainda estamos longe de saber como fazer uma reciclagem química. É como ir a Marte, escreve Wagner. “Ainda não chegamos lá. Não amanhã, mas algum dia. Espera-se que seja logo”. Mendoza descreveu a pirólise, o método usado na fábrica da Renewlogy para onde os resíduos da Hefty EnergyBag já foram enviados, como “um possível passo na direção de uma reciclagem avançada”.

A ideia de que o plástico pode ser quebrado em seus elementos constituintes, que então podem ser transformados em combustível, ceras e lubrificantes, circula há décadas. Mas essas usinas que convertem resíduos em combustível nunca se provaram econômica ou ambientalmente viáveis. Segundo um informe de 2017 da Aliança Global por Alternativas a Incineradores, a maioria dos projetos desse tipo nos EUA, Canadá, e Europa, que usam pirólise ou uma tecnologia relacionada chamada gasificação, foram fechados ou cancelados antes mesmo de se iniciarem. Entre os impedimentos citados no informe estava a inabilidade de cumprir com as metas de eficiência energética e controle de poluição. “Em geral, os custos são mais altos e mais incertos do que os defensores do projeto preveem, e as receitas são menores e mais incertas”, aponta o documento.

Usinas que convertem resíduos em combustível nunca se provaram econômica ou ambientalmente viáveis.

A viabilidade ambiental e financeira das mais recentes usinas do tipo também não está clara. Perguntado sobre a eficiência da estrutura utilizada pelo programa Hefty EnergyBag, Mendoza disse, por email, que “a eficiência material de uma unidade de processamento por pirólise é dependente da tecnologia usada e dos tipos de materiais consumidos na instalação”. Mendoza também escreveu que “a Dow tem um interesse vital e a responsabilidade de tornar os materiais plásticos benéficos durante todo o seu ciclo de vida. Estamos trabalhando para melhorar todo o sistema onde nossos produtos são usados, para maximizar a eficiência dos recursos e os benefícios derivados do uso dos nossos produtos”.

Nem a New Hope ou a Renewlogy, duas das nove empresas na aliança industrial em prol da reciclagem química dentro do Conselho Americano de Química, revelaram qual o volume de plásticos suas instalações precisam para produzir combustível. A Renewlogy não respondeu a vários pedidos de entrevista por email. Mas o site da empresa diz que, entre os rejeitos de Omaha e aqueles coletados através de um programa similar da Hefty EnergyBag na cidade de Boise, mais de 450 toneladas foram retiradas do lixo em 2018. Um vídeo no site também descreve o processo da Renewlogy como rentável e “comprovadamente limpo”. A usina New Hope, no Texas, publicou um comunicado de imprensa anunciando que terá a capacidade de processar 150 toneladas de plástico por dia, mas a companhia não comentou sobre a eficiência das suas instalações. “É uma indústria muito nova e há coisas sobre as quais ainda não podemos informar”, diz Lee Royal, que atendeu o telefone. “A forma como nós fazemos negócios é algo que, provavelmente, não gostaríamos de compartilhar neste momento”.

Em uma declaração enviada por email, o Conselho Americano de Química defendeu o valor da reciclagem química, assinalando que “essas tecnologias podem produzir uma ampla gama de produtos além do combustível, incluindo químicos mais valiosos e outras matérias-primas”, e que esses produtos “têm um valor muito maior no mercado do que em um aterro”.
As grandes questões ainda abertas quanto à eficiência, segurança, e viabilidade econômica do processo de reciclagem química — e as admissões de seus defensores de que eles ainda não descobriram como fazê-la funcionar — não impediram que a indústria química passasse leis facilitando o financiamento do esquema. O Texas recentemente se tornou o sexto estado a aprovar uma legislação (apoiada por Chevron Phillips Chemical, Exxon Mobil e o Conselho Americano de Química) que abriria caminho para novas usinas de reciclagem química.

Algumas dessas leis foram elaboradas de modo a garantir que as instalações estarão sujeitas a uma regulamentação mínima. Ao classificá-las como usinas de manufatura em vez de locais de descarte de rejeitos, operações de reciclagem química podem ficar imunes aos limites impostos sobre estes lugares em relação a óxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, materiais particulados, metais pesados e gases do efeito estufa.

Ainda assim, usinas de reciclagem química já estão sendo promovidas — e, em alguns casos, financiadas — como uma forma sustentável de resolver o problema dos plásticos. No estado do Oregon, uma empresa de administração de rejeitos está pressionando para ter sua usina queimadora de plástico como sendo de energia renovável. E na cidade de Ashley, em Indiana, uma nova usina de reciclagem química recebeu 185 milhões de dólares do estado em “títulos verdes”, fundos destinados a projetos que beneficiam o ambiente. A Brightmark Energy, empresa por trás disso, diz que sua missão é “levantar-se para preencher as necessidades do nosso planeta”.

Algumas pessoas manifestaram contrariedade ao uso de dinheiro público para financiar um processo que falhou repetidamente em termos financeiros quando foi tentado no passado. “Cada uma dessas instalações de pirólise dependeu da grandiosidade do governo para simplesmente tentar sair do chão”, diz Andrew Dobbs, diretor na Campanha do Texas pelo Ambiente, um grupo que se opôs ao projeto de lei texano. “A chamada reciclagem química não faz sentido econômico. É um processo muito caro e que demanda um uso intenso de energia, que compete com o ato de simplesmente enterrar coisas em um buraco. Por outro lado, estão produzindo combustível, que compete com o gás natural em um momento em que o gás natural é muito barato. A única forma que eles encontram para fazer isso funcionar economicamente é se os custos forem pagos por outra pessoa”.

De acordo com o email enviado pelo Conselho Americano de Química, usinas de reciclagem química “estão sendo desenvolvidas por firmas de capital de risco e de investimentos, um voto de confiança na promessa dessas tecnologias e modelos de negócios”. O email também destaca que “tecnologias de reciclagem química estão se desenvolvendo muito rapidamente e — como outras tecnologias incluindo a eólica e solar — vão se tornar mais eficientes conforme atingirem uma escala comercial”.

Se conseguir cumprir seu objetivo de transformar 288 toneladas de plástico por dia em 778 barris de diesel, 418 barris de nafta e 360 barris de cera industrial, a última palavra em reciclagem de plástico vai, como todas as usinas de reciclagem, utilizar combustíveis fósseis para transformar produtos feitos com combustíveis fósseis em mais combustíveis fósseis. Elas também vão, quase certamente, facilitar uma produção continuada de ainda mais plástico.

“Tudo isso é uma distração enorme e incrivelmente cara”, diz Denise Patel, a diretora de programa dos Estados Unidos na Aliança Global por Alternativas a Incineradores. Embora a decisão da China de parar de receber o plástico dos EUA finalmente tenha revelado o problema dos plásticos no país, a ideia de reciclagem química — por mais original que pareça — poderia enfraquecer a urgência do tema, segundo Patel. “A decisão da China é uma oportunidade para as cidades examinarem seus resíduos e aumentarem os esforços para reduzir o uso”, diz. “Mas, em vez disso, esses projetos estão exacerbando o problema ao dar às pessoas a ideia de que há uma solução e que tudo vai ficar bem se continuarem a comprar plásticos”.

Na conferência da indústria no Texas, ninguém perguntou se não havia problemas em seguir produzindo mais plástico. Após as imagens de criaturas marinhas feridas terem passado e um contador ter explicado aos executivos sobre como aproveitar os cortes de impostos aos mais ricos feito por Trump, o público presente ouviu sobre as perspectivas de futuro brilhante que a indústria tem. As exportações do plástico mais popular do mundo, o polietileno, não só vão continuar, como passarão por um “saudável crescimento” nos próximos anos, como explicou uma apresentação da firma de pesquisas de investimentos IHS Markit. Também não houve muita dúvida sobre se todo esse plástico será vendido. Uma parcela cada vez maior deve ir a outros países asiáticos além da China, já que a crescente consciência sobre a poluição plástica na Europa e na América do Norte pode enfraquecer levemente estes mercados. A única dúvida quanto à proliferação de um produto que nós sabemos estar aquecendo o planeta, acumulando-se ao nosso redor e envenenando o ar e a água no mundo inteiro, é quais serão as novas técnicas adotadas pelos fabricantes para fazer com que tudo isso pareça OK.

FONTE: https://theintercept.com/2019/07/28/como-industria-plasticos-luta-para-continuar-poluindo-o-mundo/

porMarketing Unice

“Em uma década haverá carne sintética de laboratório”

O projeto e a manipulação da matéria em escala microscópica são dirigidos para o setor agroalimentar, sanitário, a biônica e a internet das coisas.

nanotecnologia (tecnologia dos materiais e das estruturas em que a ordem de grandeza é medida em nanômetros) é a roda do século XXI. Uma empresa desenvolveu nanoimpressões que poderão ser usadas com qualquer dispositivo eletrônico (celular, ipad, etc.) para que não seja necessário usar óculos ou lentes de contato. Um software gradua o problema de visão de cada usuário. Além disso, “dentro de 10 ou 15 anos a nanotecnologia oferecerá soluções como os nanorrobôs: robôs que circulam pela corrente sanguínea até as células tumorais sem afetar o resto do corpo”, diz Manuel Fuertes, diretor da Kiatt. Mas ainda é preciso dar muitos passos antes que seja possível. “Hoje, o desenvolvimento de robôs para ajudar na luta contra as doenças está em fase experimental”, diz Julio Mayol, diretor médico do Hospital Clínico San Carlos, em Madri. Nos últimos 250 anos, nossa expectativa de vida dobrou. Passamos de 40 anos para ao menos 80. Durante as últimas décadas, os pesquisadores estudaram em profundidade muitas doenças, como Parkinson ou Alzheimer, porque, além de vivermos mais anos, queremos ter maior qualidade de vida. “Estão sendo desenvolvidas tecnologias que, com frequências de voz ou nos olhos, poderemos detectar esse tipo de doenças”, diz Fuertes. No entanto, essas tecnologias ainda não foram levadas ao terreno prático. “A robótica é usada na saúde principalmente para guiar cirurgias, na preparação de medicamentos e para analisar dados e tomar decisões no tratamento de algumas doenças”, diz Mayol.

Os desafios para o futuro próximo começam com mudanças no setor nanotecnológico, agroalimentar, na detecção de doenças com inteligência artificial, no desenvolvimento maciço da biônica até a ‘internet of things’ para ter fábricas 4.0 mais seguras e preditivas e ‘smart cities’

Cerca de 25% da população mundial terá mais de 50 anos em 2050. Os desafios para o futuro próximo começam com mudanças no setor nanotecnológico, agroalimentar, na detecção de doenças com inteligência artificial, no desenvolvimento maciço da biônica até a Internet das coisas para ter fábricas 4.0 mais seguras e preditivas e smart cities.

“A pessoa com deficiência de hoje será o supercapacitado do futuro”, diz Fuertes. O desenvolvimento de sensores de visão permite que os cegos distingam maneiras de se deslocar de forma mais independente. Dispositivos estão sendo gerados para distinguir essas formas em 3D. “No futuro, poderemos ver objetos em alta definição ou de maneira supertelescópica e ferramentas que melhorem a visão de um olho humano saudável ou ver uma cor que não é possível com um olho com uma capacidade de visão normal”, diz Fuertes. “Também poderemos ouvir frequências que o ouvido humano não pode ouvir atualmente”, acrescenta. Além disso, está convencido de que uma grande mudança acontecerá quando uma pessoa saudável decidir mudar uma parte de seu corpo por uma parte biônica sem ter nenhum problema de saúde, apenas para ser superior.

Um cientista indiano fabricou um pequeno recipiente onde se pode colocar água não potável e, ao passar por um filtro nanotecnológico, torna-se potável. “Se conseguirmos canalizar esse tipo de invenções, poderemos oferecer água potável a toda a humanidade”, diz Fuertes.

O professor Marl Post, um dos pioneiros no desenvolvimento da carne artificial.
O professor Marl Post, um dos pioneiros no desenvolvimento da carne artificial. DAVID PARRY/PA WIRE

Acontecerão grandes mudanças na alimentação. “Em dez ou quinze anos, serão geradas células para produzir ‘super carne’ ou carne sintética, de laboratório. Na China, apenas 10% da superfície é cultivável e não é fácil suprir toda a demanda”, diz Fuertes. Em 2013, sua empresa apoiou um projeto com um biorreator celular que produz células de maneira maciça que podem ser usadas em muitos setores, entre eles o da carne sintética. Além disso, o empresário acredita que consumir essa carne não oferece riscos. “Com o passar dos anos, é muito raro que haja problemas porque os controles de qualidade estão se tornando cada vez mais sérios e, na Espanha, são ainda mais rigorosos do que em países como o Reino Unido”, diz Fuertes.

‘Internet of things’ ou otimização perfeita

Atualmente, existem cerca de 23 bilhões de dispositivos conectados entre si e estima-se que até 2050 haverá 100 bilhões de dispositivos conectados. A internet of things, ou internet das coisas, tem a ver com as conexões. “São todos os dispositivos conectados a outros dispositivos gerenciados pela Internet. São os dispositivos lúdicos, os de uso pessoal ou os medidores de luz, de água, etc”, explica Eusébio Nieva, diretor da Checkpoint na Espanha e em Portugal.

Um dos usos da internet das coisas serão as cidades inteligentes. Nieva acredita que serão comuns em um futuro muito próximo. “Hoje, muitos fabricantes estão voltados para automatizar tudo. Essas cidades terão desde semáforos adaptativos que mudam em função do tráfego ou linhas de ônibus autônomas”, diz Nieva. O problema da poluição em cidades como Madri também poderá ser resolvido. Os novos sistemas permitem medir os níveis de poluição com sensores precisos em diferentes regiões da cidade e, assim, será possível adotar soluções baseadas em dados. Em resumo, otimizar melhor os recursos.

A sensorização completa da zona rural para obter a maior produtividade sem influenciar negativamente no meio ambiente já é uma realidade na Espanha. “Muitas empresas de Murcia ou de Almeria se tornaram fábricas de alta tecnologia, já não têm nada a ver com a agricultura tradicional”, explica Manuel Fuertes, diretor da Kiatt.

Os especialistas dizem que estamos vivendo a aceleração da aceleração. A inovação que acontece em um ano equivale a 200 anos em avanços. O tecnológico, eletrônico e digital estão se unindo para melhorar a vida das pessoas, mas há alguns desafios, como a adaptação. “Precisamos que essas mudanças sejam progressivas, embora tudo o que está mudando ou prestes a mudar nos obrigará a questionar abordagens que ainda nem imaginamos”, diz Fuertes. Outros especialistas não querem adiantar nada, sem saber o que nos espera. “É difícil saber o que pensaremos no futuro, porque nós, humanos, pensamos de maneira linear e as mudanças não acontecem de maneira linear”, conclui o doutor Mayol.

FONTE: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/23/tecnologia/1563891472_704597.html
porMarketing Unice

Número de casos de sarampo no 1º semestre é o mais alto em 13 anos, diz OMS

O número de casos registrados de sarampo em todo o mundo, nos seis primeiros meses deste ano, é o mais alto desde 2006. A Organização Mundial da Saúde(OMS) publicou nesta segunda-feira (12) um relatório preliminar que consolida estes dados e ressalta que a incidência da doença triplicou em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de casos de sarampo vem aumentando desde 2016, de acordo com a organização. A OMS lista a República Democrática do Congo, Ucrânia e Madagascar como os países que mais registraram casos da doença em 2019.

O relatório destaca também a eficácia das vacinas para controlar os surtos de sarampo que nos últimos meses atingiram Angola, Camarões, Chade, Cazaquistão, Nigéria, Filipinas, Sudão do Sul, Sudão e Tailândia.

“O sarampo é quase totalmente evitável com duas doses da vacina, que é altamente eficaz e segura. São necessárias altas taxas de cobertura vacinal, por volta de 95% do país e das comunidades, para garantir que o sarampo não seja capaz de se espalhar.”

Surto de sarampo no Brasil

Entre 5 de maio e 3 de agosto, 907 casos de sarampo foram confirmados no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Os casos estão concentrados em três estados: São Paulo (901), Rio de Janeiro (5) e Bahia (1).

A epidemia de sarampo é um fenômeno global. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mostram que, em 2017, a doença foi responsável por 110 mil mortes.

Este ano, ainda segundo as entidades, casos notificados no mundo cresceram 300% nos primeiros três meses em comparação com o mesmo período de 2018.

O Brasil, diz o Ministério da Saúde, vinha de um histórico de não registrar casos autóctones (adquiridos dentro do país) desde o ano 2000 – entre 2013 e 2015, ocorreram dois surtos, um no Ceará e outro em Pernambuco, a partir de casos importados.

Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar  — Foto: Infografia: Karina Almeida/G1Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar  — Foto: Infografia: Karina Almeida/G1

Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar — Foto: Infografia: Karina Almeida/G1

Quais são os sintomas do sarampo?

Os primeiros sintomas do sarampo são febre alta que dura por volta de uma semana e manchas avermelhadas na pele. Os sintomas aparecem entre 10 e 12 dias após o contato com o vírus e podem vir acompanhados de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal.

Há tratamento contra o sarampo?

Não existe tratamento específico para o sarampo. Para os casos sem complicação, é importante manter uma boa hidratação, suporte nutricional e diminuir a hipertermia. Quando o quadro se agrava e surgem, por exemplo, diarreia, pneumonia e otite média, essas situações devem ser tratadas, normalmente, com o uso de antibioticoterapia. No caso de crianças acometidas pela enfermidade, a OMS recomenda a administração de vitamina A, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais.

FONTE: https://g1.globo.com/bemestar/sarampo/noticia/2019/08/12/numero-de-casos-de-sarampo-no-1o-semestre-e-o-mais-alto-em-13-anos-diz-oms.ghtml